Renda extra

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Ainda sem uma boa previsão do tempo

José Paulo Kupfer

26 de maio de 2011 | 17h55

A taxa de desemprego, medida pelo IBGE, não sofreu variações significativas no mês de abril, em relação a março. Depois de um fundo do vale em dezembro, quanto a taxa cravou 5,3%, o nível de desocupação da mão-de-obra vem escalando lentamente, evoluindo numa faixa entre 6% e 6,5%.

O resumo da trajetória é que o mercado de trabalho não tem ajudado no diagnóstico do grau de calor da economia, no momento. A ligeira contração da massa salarial – indicador que combina empregos com remuneração – insinua indícios de acomodação. Mas o aumento do número de empregos formais sugere aquecimento.

O fato irrefutável é que a taxa de desemprego, para os padrões históricos brasileiros recentes, está baixa. Em algumas regiões metropolitanas, como Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Porto Alegre, perto de 5% ou abaixo disso. Só em Salvador o índice ainda permanece acima de 10%.

Assim, a taxa de desemprego deve continuar estimulando análises pessimistas quanto às pressões inflacionárias. Para os economistas que acreditam na curva de Phillips, que relaciona, inversamente, desemprego e inflação, a taxa de desemprego que, no Brasil, seria neutra em relação à inflação deveria rodar entre 7,5% e 8,5%. Possivelmente para eles, do ponto de vista da inflação, uma taxa de desemprego tão baixa pode ser vista como um desastre.

Já com meio século de existência, a relação estabelecida pelo economista neozelandês William Phillips, nos primórdios dos anos 60, enfrentou diversas atribulações, reformas e adaptações, ao longo do tempo. Nos anos 70, precisou do socorro teórico quando crises do petróleo fizeram subir tanto as taxas de desemprego quanto os índices de inflação. Idem, mas por razões invertidas, na década de 90, quando, no governo Clinton, tanto o desemprego quanto a inflação desabaram.

Mesmo apanhando feio da realidade, a Curva de Phillips, depois de inúmeras operações plásticas, ainda sobrevive. Mas agora em versão ampliada, com o nome de “produto potencial” – aquele que, como a viúva Porcina da telenovela, foi sem nunca ter exatamente sido.

Quanto às condições climáticas da economia – se superaquecida ou em processo de esfriamento –, teremos de esperar mais um pouco para saber com um pouco mais de convicção. A evolução do mercado de trabalho ainda não permite antecipar uma previsão do tempo minimamente confiável.

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