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Ajuste e retranca na economia

José Paulo Kupfer

02 de janeiro de 2015 | 15h45

A economia está em forte desequilíbrio e isso é constatável pela combinação de crescimento quase nulo com inflação no teto da meta. O normal, quando o crescimento é baixo, é que a alta de preços perca força e a inflação dê trégua, quando não ameace com as sombras de uma deflação, como ocorre na Europa.

A situação brasileira não deixa dúvidas de que há desarranjos para todos os lados — no setor externo, nas cadeias produtivas, na oferta de infraestrutura e, principalmente, nas contas públicas. É nesse contexto que, se tudo der certo em 2015, ainda muito terá de ser feito para recolocar a economia nos trilhos de um crescimento robusto. O nome do jogo, no ano que se inicia, é ajuste. E é na retranca que ele será jogado. O nível medíocre do Ministério formado para iniciar o segundo mandado é só reflexo dessa estratégia defensiva, ditada pela falta de alternativas.

Se o lado externo ajudasse, como ajudou com Lula, entre 2003 e 2008, a retomada poderia ser mais fácil. Mas não será porque, diferentemente daquele tempo, em que as altas nas cotações das principais commodities impulsionaram uma rápida recuperação, o cenário agora é de cotações em baixa e de receitas externas insuficientes. Isso significa que o velho estratagema de manter baixa a cotação do dólar, como forma de conter a inflação, sem alimentar o risco de crise cambial, ficou fora de cogitação.

Há uma assimetria instabilizadora na forma como a economia global está tentando superar os efeitos contracionistas da grande crise que eclodiu já lá vão sete anos. O descompasso entre a recuperação nos EUA e a estagnação na Europa e no Japão, com o relevante concurso da desaceleração chinesa, manterá as economias emergentes, Brasil na linha de frente, em permanente estado de alerta.

Também deverá ser mais complicado retomar os investimentos, cruciais para desfazer gargalos na oferta de infraestrutura, do que já seria em condições normais. Ao ambiente que combina baixo crescimento com inflação elevada, desestimulador por natureza da ampliação da capacidade produtiva, agregou-se a poderosa trava da paralisia que tomou conta da Petrobrás e de seus grandes fornecedores, entre os quais as maiores construtoras brasileiras, após o escândalo da corrupção desbragada que envolveu a estatal.

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