Alta do ouro indica que o mar ainda não está para peixe

José Paulo Kupfer

01 de dezembro de 2009 | 12h01

O ouro ganhou a corrida dos investimentos em novembro, repetindo outubro. Superou até mesmo o galopante índice da Bolsa de São Paulo. A cotação do grama, na BM&F, subiu 15,03% no mês e deu um banho na Bovespa, que avançou 8,93%.

No ano, não dá para comparar: a Bolsa já escalou 78,55% e o ouro avançou 6,6%. Mesmo assim, o metal deixou o euro e o dólar comendo poeira.

Em Londres, a onça de ouro chegou, no fim de novembro, à cotação recorde de US$ 1.200. No mercado futuro, os contratos para fevereiro já estão acima desse valor. Há dez anos, a cotação do ouro patinava em torno de US$ 300.

A última vez que a cotação do ouro deu pinotes como os atuais foi entre fins dos anos 60 e 80. Époc a dos petrodólares e de crises recorrentes na economia mundial, com destaque para as instabilidades na economia americana. Naquele tempo, o Fed, comandado pelo mesmo Paul Volcker que está de volta a Washington, na equipe econômica de Barack Obama, puxou os juros básicos para “níveis brasileiros” de 21% ao ano.

O ouro é o último refúgio dos que vislumbram incertezas na economia. Altas consistentes nas cotações do metal, a “relíquia bárbara” de Lord Keynes, podem significar muitas coisas, exceto uma: a de que a economia mundial singra mares de almirante. A tormenta pode ter passado, mas o mar ainda não está para peixe.

Moral da história: não se deve dar ouvidos aos que partem do diagnóstico de que a crise global acabou para oferecer alternativas de política econômica.

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