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As taxas de inflação desabam. E preocupam

José Paulo Kupfer

11 de agosto de 2009 | 18h58

Os índices de inflação estão todos – com destaque para os de preços no atacado – apontando para baixo e com força. Nas projeções mais recentes para 2010, o centro da meta vai ficando para trás. Na semana passada, o boletim Focus do Banco Central apontava 4,32% para o IPCA (ante a meta de 4,5%). Isso preocupa.

Tem gente que acha que moeda forte é sinal de economia forte, assim como tem gente que acha que inflação, quanto mais baixa, melhor. Isso também preocupa.

Se moeda forte fosse expressão de uma economia forte, a China estaria caindo pelas tabelas. Mas, como se sabe, dá-se exatamente o inverso, mesmo com um Big Mac em Pequim custando metade do preço de um Big Mac em Nova York.

Do lado dos preços, se inflação baixa é bom, inflação baixíssima não é. Longos períodos de inflação baixíssima (ou deflação) são tão dramáticos quanto longos períodos de inflação alta (ou hiperinflação). Basta ver a Grande Depressão dos anos 30 e 40 e a economia japonesa, a partir dos anos 90.

Costuma-se comparar índices de inflação com termômetros. A inflação não seria, ela mesma, uma infecção econômica, mas um instrumento de medição da febre. Com base nessa analogia tradicional com a temperatura do corpo humano, não parece difícil entender que uma febre de 40 graus centígrados ou mais é algo alarmante, indica infecção séria no corpo econômico. Mas, e se a temperatura ficasse abaixo de 35 graus? Expressaria uma situação de boa saúde?

 Calma, calma. Assim como inflação não é preço alto, mas alta persistente de preços, deflação não é preço baixo, mas baixa persistente de preços. A trajetória dos índices de preços é de baixa – alguns já apontam deflação –, mas, obviamente, ainda não é algo persistente a que estamos assistindo.

 Ah… antes que eu me esqueça: o Big Mac, em São Paulo, está 13% mais caro do que em Nova York. Como no Brasil, só em outros três lugares super-desenvolvidos, na Islândia (uma economia que eu não sei o que é, sobretudo depois da crise global) e na zona do euro, no conjunto das 45 principais economias mundiais, o sanduíche custa mais do que nos Estados Unidos.

 Há quem ache que isso é sinal de política monetária mais apertada do que o necessário. Mas, tem gente, é claro, que acha isso bom. Afinal, um câmbio valorizado é um belo estímulo à redução do consumo das toneladas de colesterol embutidas nos Big Macs.

* * *

Só agora pude ir atrás da inflação (índice de preços ao consumidor), nos Estados Unidos, na década de 30. A deflação chegou a absurdos 10,3%, em 1932, vinda de 8,8% negativos, em 1931, 2,5% para baixo, em 1930, e zero , em1929, ano do crash.

 

Atualizado às 19h53

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