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Ata mostra BC mais cauteloso que o mercado

José Paulo Kupfer

26 Julho 2016 | 12h52

A ata da reunião do Copom de julho, na semana passada, divulgada nesta terça-feira, complementou a mudança de estilo na comunicação do Banco Central com o mercado financeiro e a sociedade. Depois de um comunicado mais longo e detalhado do que os anteriores, veio a público uma ata mais curta do que as de antes. Nos dois documentos, mais clareza nos enunciados, em razão de um estilo narrativo simples e direto. Ainda mais do que no comunicado, a ata reduziu o “coponês” — o idioma iniciátivo em que o BC transmitia suas mensagens — a quase nada.

Na leitura do mercado financeiro, o Copom endureceu, em relação ao comunicado da semana passada, sua percepção dos riscos inflacionários e, com isso, jogou mais para frente ainda o ansiado início de um ciclo de corte nos juros. Mesmo os mais impacientes descartaram de vez a hipótese de que o processo comece em agosto e agora uma maioria não muito ampla deslocou sua expectativa para o último encontro do ano, em novembro, dividindo apostas com quem mantém a aposta para outubro. O ano, assim, se encerraria com a taxa básica de juros, provavelmente, entre 13,25% e 13,75%.

Curioso é verificar que os diretores do BC estão mais cautelosos com as perspectivas da economia do que um grupo considerável de analistas. Ainda que seja possível considerar benigna demais a avaliação da situação econômica global, chama a atenção a importância dedicada à evolução do processo de ajuste fiscal e, com mais ênfase, o detalhamento das incertezas em relação ao êxito do programa, dependente de combinações políticas e institucionais sem dúvida difíceis de controlar e prever.

Não poderia haver modo melhor e mais claro de reafirmar, praticamente, a existência de espaço autônomo para a tomada de decisões no âmbito da política monetária.