Renda extra

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Barbas de molho (mesmo quem não as tem)

José Paulo Kupfer

17 de agosto de 2009 | 19h06

Puxados por um desmoronamento da bolsa de Xangai, que recuou quase 6% no pregão desta segunda-feira, os mercados no mundo inteiro, inclusive no Brasil, retrocederam com relativa força. Nem o anúncio de que a economia japonesa havia crescido 0,9% no segundo trimestre, nem o fato de que Alemanha e França também registraram, no mesmo período, uma pequena recuperação, serviram para segurar o tombo.

Esse recuo dos mercados, que fique claro, não expressa o início de uma segunda onda recessiva. A maior parte dos analistas considera que se trata de um dia de realizações de lucros, a partir de uma percepção de que os mercados de ação talvez estejam formando bolhas, ao subir mais rápido do que se poderia esperar com os dados conhecidos da economia mundial.

Tudo bem que, amanhã, os pregões voltem a se agitar com gente querendo comprar papéis e empurrando as cotações para cima. De todo modo, a recueta brava da segunda-feira não deixa de ser um lembrete oportuno de que as coisas, se não vão piores do que poderiam, não estão indo tão bem quanto alguns cantam.

É um momento no mínimo curioso. Há recuperação para todos os lados e até o renitente Japão anunciou um crescimento de 0,9% no segundo trimestre do ano. Mas também há incertezas para todos os lados. A ponto de os mercados recuarem forte, como nesta segunda, inclusive no Japão, com o anúncio da saída da recessão e tudo.

O fato é que a recente onda de otimismo que tomou conta de um certo tipo de analista tem um cheiro estranho. A começar da própria base para o otimismo: o (pequeno) crescimento das economias ao redor do mundo.

Evidente que a recuperação está se dando sobre uma base ultradeprimida – o que pode mascarar e, no fim das contas, tornar sem grande efeito, a tal “volta por cima”. Em resumo, é possível que, já no fim do ano, seja possível anunciar o fim da “recessão”. Mas será um erro confundir esse possível acontecimento com o fim da crise econômica.

A verdade é que, por enquanto, a economia global ainda está encalacrada.  Se a saída vier por um aperto no lado fiscal, com elevação dos juros, compressão das despesas públicas e enxugamento de liquidez, isso pode enfraquecer a recuperação e torná-la mais modesta e mais lenta. Se, ao contrário, os déficits fiscais continuarem sancionados por juros baixos, o risco é que, depois de uma etapa de deflação, aliás, já em curso, comecem a se formar pressões inflacionárias, a partir dos preços das commodities agrícolas e energéticas.

Diante dessas perspectivas, os mercados – de ações, commodities e, em consequência, o de crédito – parecem viver uma animação maior do que a economia real seria capaz de sancionar. Se essa impressão se confirmar, o risco da formação de uma nova bolha não deveria ser descartada.

Mesmo quem não tem barba deveria colocá-la de molho.

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