Renda extra

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BC conservador? Vai nessa…

José Paulo Kupfer

11 de agosto de 2008 | 18h49

O preço dos alimentos vem cedendo e a inflação vem atrás. Não só os índices ao consumir mostram tendência de recuo. O alívio é expressivo a ponto de mexer com os índices gerais. Parece a volta do parafuso: aquilo foi, empurrado pelo preço em ascensão dos alimentos, está voltando, pela mesma razão, com sinal trocado.

Dá para dizer que a tendência para baixo vai se transformar em trajetória segura? Tudo indica que vai ser assim, mas ainda não dá para bancar.

Muito bem. E então o que faz o Banco Central? Promete continuar bombando a taxa de juros porque acredita que as altas já promovidas ainda não afetaram o movimento dos preços.

Dizem que o BC brasileiro, como todos os BCs, é conservador. Que nada, o nosso BC é para lá de arrojado.

No “pai dos burros”, conservador, entre outras acepções, é alguém – ou alguma coisa – caracterizado pela moderação ou prudência. Prudente, no caso da inflação brasileira neste momento, seria esperar que a tendência se apresentasse com mais nitidez, observar a dinâmica do movimento, e agir, com cautela, para controlar o que vem pela frente e não o que ficou para trás.

Ao ameaçar, como fez na ata da última reunião do Copom e reafirmou nas declarações de seus diretores, insistir, com vigor, no aumento os juros, o BC não tem sido nada conservador e nem um pouco cauteloso. Se fosse, diante da tendência atual da variação de preços, no mínimo baixaria um pouco a bola.

O sistema de metas de inflação tem uma parte de culpa na mudança de personalidade do BC. O único “castigo” previsto atinge a diretoria da instituição quando a meta não é cumprida. Não há outras metas, pelo menos explícitas, como, por exemplo, de crescimento.

Se, ao cabo do ano civil, a inflação registrada ficar acima do teto do intervalo definido dois anos antes ((ou abaixo do piso do intervalo, uma hipótese quase teórica), o presidente do BC é obrigado a escrever uma carta aberta ao ministro da Fazenda, com explicações para o furo e promessas de ajuste.

No vocabulário do mercado, essa carta explicativa é entendida como um “pedido de perdão”. Caso a economia vá para o vinagre, por conta do esforço, “doa a quem doer”, para manter a inflação dentro da meta (e se possível no centro da meta), isso não merecerá pedido algum de perdão.

Entende-se que foge à lógica econômica exigir que um único instrumento, como a taxa básica de juros, sirva, ao mesmo tempo, a mais de um objetivo macroeconômico.

Mas que o formato do sistema de metas leva a esse protagonismo indevido do BC, é claro que leva. No fim das contas, o crime de derrubar a economia não tem castigo.

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