Bear Stearns: mais uma da série "o capitalismo em marcha"

José Paulo Kupfer

14 de março de 2008 | 19h07

A crise financeira internacional em curso, que teve origem no mercado imobiliário de alto risco nos Estados Unidos, fez, finalmente, sua primeira vítima cinco estrelas. Nesta sexta-feira, 14 de março, o JPMorgan Chase anunciou um empréstimo de emergência, de 28 dias, garantido pelo Fed de Nova York, para evitar o colapso do banco de investimento Bear Stearns. Fundado em 1923, com 14 mil empregados e lucro bruto de US$ 16 bilhões em 2007, o banco de investimento era um dos cinco mais ativos de Wall Street.

O JP Morgan operará como caixa de compensação do Bear Stearn, utilizando dinheiro garantido pelo Fed. Antes do resgate de emergência do Bear Stearns, o Fed só havia participado de operações semelhantes com instituições não bancárias comerciais em duas outras ocasiões, nas depressões dos anos 30 e dos anos 60 do século XX.

No comunicado em que anunciou o plano de resgate, o JP Morgan informou que tentará encontrar uma solução para reestruturar o BS, podendo inclusive vir a incorporá-lo. Estima-se que o valor de mercado do BS, depois das perdas que veio absorvendo desde o segundo semestre do ano passado, não exceda US$ 10 bilhões ou US$ 15 bilhões. Ninguém acredita que o outrora lustroso Bear Stearns sobreviva como instituição independente.

Urubus do mercado já estão prevendo, para a próxima semana, a explosão de outra estrela da constelação dos bancos de investimentos e corretoras de primeira grandeza, em Wall Street. Mais dinheiro público, sem dúvida, virá em socorro de instituições com baixa governança, conduzidas por executivos gananciosos e imprudentes.

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