Belo Monte: leilão feito, nada definido

José Paulo Kupfer

22 de abril de 2010 | 15h06

O resultado do leilão da usina de Belo Monte confirmou que a melhor solução era a que o bom senso sugeria: adiá-lo até que as muitas dúvidas sobre a obra fossem sanadas ou, pelo menos, devidamente delimitadas. Leilão feito, nada está definido em relação à obra.

Não há certeza de coisa alguma. Nem sobre o efetivo custo da obra ou a capacidade técnica dos vencedores para executá-la e o preço real final do Kw/hora. Até mesmo o grupo de empresas integrantes do consórcio vencedor está aberto e tudo pode mudar na sua composição até a definitiva formalização do negócio. Mas, o ônus de voltar atrás, agora, é de tal monta que a hipótese não pode ser cogitada.

Resta então o empenho do governo, para superar os inúmeros desafios do projeto. Não só no campo econômico-financeiro, mas também, entre tantos outros, as ações na Justiça, os risco de atraso nos cronogramas de execução e as previsíveis tentativas dos construtores de “economizar” na obra, deixando de lado os parâmetros definidos para a preservação ambiental e a acomodação social, cujos custos são necessários, mas bem altos. Isso em fim de governo.

O presidente Lula se empenhou, pessoalmente, com Belo Monte. Chegou a dizer que o governo faria a obra sozinho, se o setor privado fizesse corpo mole. Se sua candidata ganhar a eleição, tudo bem. Mas se isso não acontecer? Quem garante o mesmo empenho?

Além de todos os riscos inerentes a um projeto da envergadura de Belo Monte, no local e nas condições em que está projetado, ampliou-se – e muito – o risco político da empreitada.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.