Blindagem externa

José Paulo Kupfer

06 de abril de 2016 | 18h58

O Fundo Monetário Internacional (FMI) adiantou, nesta quarta-feira, dois capítulos do relatório sobre as perspectivas da economia mundial previsto para ser apresentado na reunião da primavera, prevista para a próxima semana e realizada em conjunto com o Banco Mundial. Um dos capítulos trata das economias emergentes e o outro, das maduras.

A preocupação principal da direção do FMI é com a saúde econômica dos emergentes. Essas economias, não faz tanto tempo responsáveis por puxar o trem econômico global quando os países desenvolvidos giravam em falso, depois do crash de 2008, estão agora agindo no sentido contrário e segurando o crescimento internacional.  “Entendo a queda nos fluxos de capitais para os mercados emergentes” é o sugestívo título do capítulo dedicado aos emergentes.

Apesar das preocupações com a retração dos fluxos de capitais para emergentes — que continuam, segundo as estatísticas, em níveis baixos, depois de cinco anos de declínio — os economistas do FMI reconhecem que os efeitos atuais do encolhimento dos fluxos de capítais são diferentes e mais benignos dos que os ocorridos nos anos 80 e 90, quando a contração dos investimentos externos esteve no centro dos colapsos então registrados.

Eles atribuem essa maior resiliência atual a reformas empreendidas ao longo da última década e meia, com a adoção de regimes de câmbio flutuante, manutenção de reservas internacionais robustas e contenção do endividamento em moeda estrangeira.

O Brasil, que vive um ciclo recessivo inédito em sua histórica econômica, mas, mesmo assim, não sofre pressões no lado externo, como era rotineiro nas décadas de 80 e 90, é um exemplo da blindagem construída nesse período.

 

 

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.