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Calma que o Brasil é nosso – 2

José Paulo Kupfer

28 de agosto de 2009 | 17h59

Há um mês, quando saíram os resultados das contas públicas, em junho, escrevi um texto com o título “Calma que o Brasil é nosso”. Agora, com a divulgação dos números de julho, piores do que os de junho, meu texto se chamará “Calma que o Brasil é nosso -2”.

Com o resultado de julho, o superávit primário, que abriu 2009 em 3,2% do PIB, recuou para 1,76%, sendo que a meta para o ano é de 2,5% (ou 2% do PIB, se o governo abater da meta o chamado “projeto piloto de investimento – PPI).

O déficit nominal, que não tem meta e começou o ano em volume equivalente a 2,5% do PIB, alcançou, em julho, 3,35%. E a dívida pública líquida avançou de 41,4% do PIB, em janeiro, para 44,1%, no mês passado.

Parece que o Brasil vai desabar e tem um tipo de gente que garante que vai. São aqueles para os quais os gastos públicos estão, a cada momento, sempre alguns pontos percentuais acima do que deveriam estar. Mas, acalmem-se, não é bem assim e, diferentemente de outros tempos, as contas públicas continuam sob controle.

Os que andam se descabelando com o avanço dos gastos e a contração da arrecadação parecem viver no mundo da Lua, onde, possivelmente, não está em curso uma crise global de devastadoras consequências. Ou, pelo menos, concordam com o presidente Lula, para quem a crise não foi mais do que uma marolinha. Não é preciso mais do que um mínimo de bom senso para entender a impossibilidade de manter, no meio do furacão, metas e números fiscais anteriores à crise.

Com toda a necessidade de gastar mais e a inevitabilidade de arrecadar menos, típicas de situações de crise aguda como a atual, ainda assim as projeções não apontam para tempestades fiscais. O superávit primário deverá ficar nas vizinhanças da meta (com 1,5% do governo central e 1% de estados, municípios e estatais) e o déficit nominal, mesmo com o aumento dos gastos com juros em torno 5% do PIB, abaixo de 3%.

É um resultado mais do que razoável em si mesmo e escandalosamente bom, se comparado com o resto do mundo. Só para dar uma idéia: nos Estados Unidos, o déficit está em 13%, na Inglaterra em 14% e na média da Europa acima de 10%.

Será que não estão querendo demais?

 

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