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Câmbio: a bola está com o BC

José Paulo Kupfer

23 de outubro de 2009 | 18h28

Já parece claro que o IOF de 2% sobre capitais externos, isoladamente, não será suficiente para conter a trajetória de valorização do real frente ao dólar. Está claro também que, se nada mais for feito a valorização do real, em breve, entrará para a história das crônicas anunciadas dos desastres econômicos brasileiros.

O debate sobre as alternativas para conter a alta do real, por isso mesmo, está aceso e o leque de opções, de acordo com a linha de pensamento do freguês, é relativamente grande. Vai do fatalismo de não fazer nada ao ativismo extremo de reintroduzir o câmbio fixo.

Levando em conta que o regime de câmbio flutuante não necessariamente é a expressão de um mercado livre de câmbio, há, no meio desse leque de alternativas, algumas possibilidades interessantes. Mas elas exigem ação menos passiva do Banco Central.

Quando o dólar disparou, no auge da crise global, há um ano, não foram poucos os que criticaram o BC por permitir a forte alta da moeda americana, apesar das reservas que, à época, já somavam mais de US$ 200 bilhões. A prova de que a ação do BC deixava a desejar, na condução da política cambial, foi dada com a ascensão da moeda brasileira ao posto mais alto no pódio das moedas mais voláteis em todo o mundo.

 As críticas voltaram agora, mas no sentido inverso. Critica-se o BC por permitir a forte baixa do dólar. O BC, na operação cotidiana do câmbio, não parece ser mesmo assim uma brastemp.

Numa entrevista ao jornalista Marcio Aith, de Folha de S. Paulo, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, trouxe para o público o sumo das ideias defendidas no momento pelos não ortodoxos. Belluzzo acusou o BC de “dar milho aos bodes” com a sua estratégia de intervenção no câmbio, considera apenas reativa.

São basicamente duas as propostas. A primeira delas é que o BC, em vez de apenas secar diariamente a sobra de dólares em leilões vespertinos, adotasse uma estratégia que, no mínimo, confundisse os especuladores. Isso poderia ser obtido se o BC interviesse no mercado, numa manhã qualquer e, em outras ocasiões não previamente determinadas, fazendo megacompras de dólares – algo como US$ 10 bilhões ou US$ 15 bilhões. Com isso, a noção de risco de mercado, que a atual forma de atuar do BC praticamente elimina, retornaria ao cenário.

Tal manejo seria executado em combinação com a volta do BC ao mercado futuro. Nada impede que o BC, além de comprar ou vender moeda no mercado à vista, também opere no mercado futuro – o que não é feito não se sabe bem a troca do quê. Afinal, faz tempo que as posições de investidores no mercado futuro puxam o câmbio à vista.

O resumo da ópera é que no lado fiscal – que é o que a Fazenda pode manejar –, as ações efetivas para conter a derrubada do câmbio são limitadas. Mesmo os efeitos no câmbio de uma maior austeridade fiscal, no curto prazo, são incertos e, talvez, operem no sentido inverso ao pretendido. A bola para impedir que o desastre de um dólar a R$ 1,40, na verdade, está com o BC.

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