Chutometria

José Paulo Kupfer

17 de dezembro de 2007 | 11h30

A mediana das projeções dos especialistas de mercado consultados pelo Banco Central para o o boletim Focus, para o ano que se iniciava, em 5 de janeiro de 2007, apontava o seguinte:

1) Crescimento do PIB – 3,5%
2) Taxa de juros Selic (fim do período) – 11,75% ao ano
3) Taxa de câmbio (fim do período) – R$ 2,20 por dólar
4) Inflação anual (medida pelo IPCA/IBGE) – 4%
5) Balança comercial – superávit de US$ 38,60 bilhões
6) Saldo em conta corrente – US$ 6,4 bilhões
7) Investimento estrangeiro direto – US$16,2 bilhões
8) Dívida pública líquida – 49% do PIB*

(*) antes da revisão das Contas Nacionais

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A mediana das projeções dos mesmos especialistas, para o ano que se encerra, em 14 de dezembro de 2007, aponta o seguinte:

1) Crescimento do PIB – 5,06%
2) Taxa de juros Selic (fim do período) – 11,25% ao ano
3) Taxa de câmbio (fim do período) – R$ 1,76 por dólar
4) Inflação anual (medida pelo IPCA/IBGE) – 4,21%
5) Balança comercial – superávit de US$ 40,15 bilhões
6) Saldo em conta corrente – US$ 6,77 bilhões
7) Investimento estrangeiro direto – US$ 33 bilhões
8) Dívida pública líquida – 43,4% do PIB

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Para 2008, a mediana das projeções, em meados de dezembro de 2007, é a seguinte:

1) Crescimento do PIB – 4,4%
2) Taxa de juros Selic (fim do período) – 10,5% ao ano
3) Taxa de câmbio (fim do período) – R$ 1,80 por dólar
4) Inflação anual (medida pelo IPCA/IBGE) – 4,2%
5) Balança comercial – superávit de US$ 33,65 bilhões
6) Saldo em conta corrente – zero
7) Investimento estrangeiro direto – US$ 25 bilhões
8) Dívida pública líquida – 42% do PIB

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Algumas entre as conclusões possíveis:

1) Os modelos econométricos de previsão macroeconômica, utilizados pelos especialistas de mercado brasileiros, não são assim uma Brastemp e se parecem com os biquínis: mostram tudo, menos certas coisas essenciais;

2) Os modelos econométricos de previsão macroeconômica não são ideologicamente neutros. Os utilizados pelos especialistas de mercado brasileiros são adaptados de modelos gerais, normalmente desenhados para economias maduras e desenvolvidas, com base em teorias que atendem ao viés ideológico dos autores e apontam para aonde seus autores acham que a economia deveria ir ou para aonde gostariam que a economia fosse;

3) Dado que as projeções dos especialistas influenciam as decisões do Banco Central, as profecias auto-realizadoras são importantes elementos do sistema de previsão. Neste aspecto, os modelos econométricos de previsão macroeconômica são como cachorros que correm atrás do próprio rabo;

4) É arriscado tirar conclusões com base apenas nas previsões apontadas pelos modelos econométricos dos especialistas. É perigoso desenhar políticas públicas somente com base neles. É irresponsável executar políticas assim estabelecidas.

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