Cresce o medo do efeito dominó

José Paulo Kupfer

17 de março de 2008 | 16h44

A esperada reação do mercado depois da quebra do bancão de investimentos Bear Stearns não demorou a ganhar a cena. Na seqüência de uma sexta-feira tensa nos mercados, quando o JP Morgan Chase e o Fed anunciaram uma operação de emergência para salvar os créditos do BS, o fim de semana febril e a segunda-feira de treme-treme eram desdobramentos naturais. O pior é que, segundo um agora quase consenso, o pior ainda está por vir.

No domingo, o JP Morgan anunciou a “compra” do Bear Stearns por U$ 2 a ação – há cerca de um ano, o valor da ação era 80 vezes maior. Ficou-se sabendo também que o Fed entraria com US$ 30 bilhões na operação, num autêntico Proer para segurar as pontas do BS e, mais do que isso, tentar evitar um efeito dominó – o que hoje parece quase inevitável.

A propósito de toda essa situação, que o “maestro” Alan Greenspan, um dos autores do drama, em artigo no “Financial Times”, já está chamando de “a maior crise financeira” desde a Segunda Guerra, vale a pena ler a coluna de hoje do economista Paul Krugman, no “The New York Times” (aqui, em inglês). Respeitadíssimo, além de colunista do NYT, Krugman é professor em Princenton.

Para Krugman, nesse processo de salvamento do mercado com dinheiro público, injetado a rodo pelo Fed, a pergunta crítica é a seguinte: quando o Fed vem em socorro do mercado financeiro, até que ponto ele está seguro de que não está socorrendo também aqueles que levaram a esta grande confusão?

O economista considera que a operação de salvamento é inevitável e explica por que, na opinião dele, não há outra saída. “Entre 2002 e 2007, falsas crenças de mercado – a crença de que os preços dos imóveis só subiriam, que as inovações financeiras eliminariam os riscos, que um rating AAA realmente certificava um investimento seguro – levaram a uma epidemia de mau empréstimos”, escreve Krugman.

E continua: “Ao mesmo tempo, falsas crenças no campo político – a crença de Alan Greenspan e de seus amigos na administração Bush de que o mercado está sempre certo e as regulações são sempre algo ruim – levaram Washington a ignorar os sinais de alerta”.

A “compra” do Bear Stearns pelo JP Morgan a “preço de banana”, na opinião de Krugman, é uma solução correta para o caso. Mas não pode ser tomada como modelo para as operações de salvamento muito maiores que o economista acha que ainda estão por vir. “É preciso impor perdas aos acionistas das instituições quebradas, aos investidores em seus papéis e aos executivos que levaram as companhias à falência”, diz Krugman. “Salvar as instituições da falência sim, mas para vender seus ativos e reembolsar os contribuintes pelo dinheiro que o Tesouro injetou e ainda vai injetar no mercado”.

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