Demanda mais fraca explica inflação abaixo do projetado em outubro

José Paulo Kupfer

07 Novembro 2018 | 19h27

A inflação de outubro, medida pela variação do IPCA, Fechou em 0,45%, em relação a setembro, acumulou 3,81% no ano e avançou para 4,56%, ligeiramente acima do centro da meta, em 12 meses. Muitos destacaram o fato de que, mesmo abaixo das projeções dos analistas, com mediana em 0,55%. foi a taxa mais alta para meses de outubro desde 2015. Na verdade, porém, essa não seria a indicação mais relevante do movimento dos preços no mês passado.

Chama mais a atenção o alívio dos preços no setor de serviços e, sobretudo, nos preços dos chamados serviços adjacentes, os quais, com a exclusão de serviços domésticos, cursos, comunicação e turismo, são mais sensíveis ao comportamento da atividade econômica. Junto com a queda nas medidas de núcleo de inflação também mais sucetíveis à marcha dos negócios, esse fato aponta para uma possível recidiva negativa da demanda.

É certo que a descompressão nos combustíveis, na esteira do recuo das cotações do dólar, e o recuo em energia elétrica contribuíram para o resultado inferior ao projetado. Mas a fraqueza da demanda ficou evidente em preços por ela diretamente influenciados.

A manutenção do ambiente de descompressão da demanda e a acomodação da taxa de câmbio, ao lado da bandeira amarela nas tarifas de energia elétrica, levam os analistas a prever deflação para novembro, algo atípico no retrospecto para o mês. Reforça a projeção a perspectiva de redução no preços dos alimentos e em bens duráveis, principalmente em razão das promoções em torno da Black Friday.

Depois dos números da inflação em outubro e das previsões baixistas para novembro, as expectativas para o acumulado em 2018, depois de avançar até as proximidades do centro da meta, de 4,5%, convergem agora para um número próximo de 4%.

Com isso, também ganharam força as apostas na manutenção da taxa básica de juros em 6,5% por um período de tempo mais prolongado e com avanço mais modesto. Em 2019, se houver, as novas altas na taxa Selic não irão além de um ponto porcentual, a partir apenas do segundo semestre.