Dilma reafirma diretrizes para a economia

José Paulo Kupfer

25 de julho de 2011 | 18h28

Um comentário um pouco atrasado, mas para não deixar passar batido, a respeito da entrevista da presidente Dilma Rousseff a jornalistas de política, em Brasília, na semana passada: além da observação da colega Vera Rosa, do Estadão em Brasília, de que a presidente parece mais magra, não apareceu, na conversa relatada pelos colegas, nenhuma novidade, pelo menos nos tópicos da economia.

A principal mensagem da presidente, no setor da economia, na entrevista de julho, é que haverá um “pouso suave”, de modo a contemplar o controle da inflação, mas sem atropelar o crescimento.

 Sabemos que Dilma não gostaria de sacrificar crescimento em troca de uma controle mais forte da inflação desde a primeira entrevista exclusiva e mais longa da presidente a um jornalista brasileiro, em março, à colega Claudia Safatle, do “Valor”.

Lá, a retórica era um pouquinho diferente, mas a mensagem a mesma: “Não negocio com a inflação”, disse Dilma, ressalvando que o combate à alta de preços não seria feito com o sacrifício do crescimento.

Na análise da própria entrevista, publicada no dia seguinte, em que menciona como fontes “pessoas muito próximas” à Dilma, a jornalista do “Valor” escreve que, de acordo com essas fontes, a principal mensagem é a de que a “responsabilidade da política econômica” é da presidente e que seus gerentes são o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central.

Nada, nesses sete primeiros meses do governo Dilma, permite supor que não seja exatamente isso que esteja se passando com a política econômica.

Traduzindo: os gerentes são autônomos para operar os instrumentos de política econômica, mas a diretriz quem dá é ela.

A diretriz parece ser a seguinte: se trazer a inflação para o centro da meta mais rápido implicar em riscos para um crescimento mínimo, em torno de 4%, o BC não precisa apertar o passo. Mas não pode deixar passar do teto.

Nesta segunda-feira, em Arapiraca, Alagoas, em mais um lançamento do programa de combate à miséria, Dilma voltou a repisar o discurso: vai responder à ameaça da inflação à altura, mas não pode conceber o Brasil parado. E o mercado, segundo o boletim Focus, divulgado também nesta segunda, já entendeu a mensagem, elevando as projeções de inflação para 2012.

 

 

 

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