Em busca de inovações analíticas

José Paulo Kupfer

15 de janeiro de 2008 | 23h33

Em TEXTOS E ESTUDOS, um instigante artigo do economista José Carlos Braga, professor livre docente do Instituto de Economia da Unicamp, publicado no “Valor”, em 11 de janeiro.

Aqui, uma base dos argumentos: “Os percalços do debate econômico sobre as conseqüências para a economia mundial da crise imobiliária americana refletem não só a inexorável dificuldade de conhecer o futuro, mas também a imperativa necessidade de renovar a teoria econômica diante de um capitalismo que vem sofrendo mutações estruturais”.
“A teoria econômica dominante baseada nos modelos de Equilíbrio Geral limita-se a aperfeiçoar o argumento de “falhas de mercado”, como se essas não fossem nós intrínsecos. Seus economistas, face ao “choque” de capitalismo real, aparecem nas horas de crises com explicações que deixam intactas as supostas virtudes do sistema de mercado e da feroz concorrência instabilizadora que o acompanha na globalização.”

“(…) tem sido justamente nas últimas décadas, após a retirada do Estado das funções de regulação e regulamentação, que ressurgiram flutuações, instabilidades e crises. Por outro lado, a despeito do investimento com inovações das grandes empresas, assegurar um patamar mínimo de acumulação de capital na economia mundial ele não tem sido capaz de garantir processos longos de prosperidade, como Schumpeter sugerira.”

Aqui, a conclusão: “Chegou agora com o estouro da malfadada “bolha imobiliária” a hora de uma grande crise? Indeterminação. Não está disponível teoria “arrematada” que esclareça com o mínimo de confiança qual a tendência em curso. Sabe-se que o sistema é incapaz de autoregular-se, que sem os bancos centrais as dificuldades já seriam mais graves.”

“Sabe-se que colapsou a concepção neoliberal, que é necessário redefinir as relações Estado e mercado e o sistema monetário-financeiro internacional face às mudanças da problemática globalização capitalista. Sabe-se que avançar na teoria econômica da Economia Política é preciso e é um caminho promissor na medida em que as categorias de análise se abram às mudanças trazidas pela História.”