Renda extra

Fabrizio Gueratto: 8 maneiras de ganhar até R$ 4 mil por mês

Emprego e desemprego

José Paulo Kupfer

19 de abril de 2014 | 14h02

A economia anda em marcha lenta, a criação de novas vagas de trabalho no mercado formal, em março, não passou de 13 mil postos, o menor número para o mês em 15 anos, mas a taxa de desemprego continua a recuar. No mesmo mês de março, caiu para 5% da força de trabalho, o menor índice desde o início da atual série da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE, inaugurada em 2002.

Essa combinação, aparentemente contraditória, tem explicação. Mas nem por isso os analistas deixaram de apanhar dos resultados. Eles previam, para março, um desemprego maior, de 5,4%, e um volume de novos postos de trabalho muito maior, nas alturas de 100 mil vagas.

Nas condições atuais da demografia e das particularidades do mercado de trabalho, os índices não dizem tudo e devem ser analisados com cautela. O desemprego, por exemplo, recuou ainda mais não porque tenha ocorrido aumento no volume de pessoas ocupadas – a taxa de ocupação está estacionada há meses. O que recuou e sustentou a queda no desemprego, como vem ocorrendo há bastante tempo, foi o contingente formado pela População Econômica Ativa (PEA). Ou seja, da mesma forma que em meses anteriores, há menos gente em idade de trabalhar procurando ocupação.

Detalhe importante: se a PEA, em março, recuou 0,6% sobre março de 2013, no grupo de jovens entre 18 e 24 anos, o encolhimen- to foi de 4%. Com a melhoria no padrão de renda das famílias, estaria ocorrendo um fenômeno de postergação do ingresso de jovens no mercado de trabalho.

Também é necessário contextualizar os resultados da criação de novos postos de trabalho. Em março, pode ter ocorrido um “efeito calendário”, como notaram os economistas da LCA Consultores, em boletim a clientes, comum nas épocas em que o carnaval cai em março. Nesses períodos, haveria uma antecipação de contratações em fevereiro.

O teste desta hipótese pode ser feito somando a criação de vagas em fevereiro e março e comparando o resultado com a mesma conta em anos anteriores. Nos últimos três anos, o resultado é bem parecido, em torno de 250 mil novos postos. A conclusão é que, se o volume muito baixo de vagas criadas em março indica uma tendência de esfriamento do mercado de trabalho, em linha com a estagnação da taxa de ocupação, apurada na PME, a situação não é tão alarmante quanto o número seco poderia fazer supor.

Grande parte dos analistas, a propósito, avalia que o desemprego tende a subir, mas muito lentamente.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.