Emprego em câmera lenta

José Paulo Kupfer

25 de junho de 2014 | 19h38

A criação de postos de trabalho formais, em maio, não chegou a 60 mil e expressa o menor volume de vagas ocupadas para meses de maio desde 1992. É um resultado quase 20% menor do que os criados em maio de 2013 Os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), coletados e divulgados pelo Ministério do Trabalho, continuam a apontar para uma redução no ritmo de absorção de pessoal pelo mercado de trabalho.

Considerando os ajustes sazonais, a criação de vagas formais vem caindo desde setembro do ano passado – a exceção se deu em fevereiro, com um aumento excepcional, em razão das contratações para a Copa do Mundo. Foram criados, até agora, ao longo do mandato da presidente Dilma Rousseff, um total de 5 milhões de novos postos de trabalho. De janeiro a maio, o número de novas vagas somou 550 mil. A previsão para 2014, ainda no patamar de 1,5 milhão de novos postos, deve ser revisada em julho. Dificilmente ultrapassará a marca de 1 milhão, metade do pico de criação de vagas formais, ocorrido em 2010.

Do ponto de vista setorial, as estatísticas de maio reforçam as tendências dos últimos anos. Continua firme a absorção de mão de obra no setor de serviços, segmento que mais tem empregado trabalhadores com carteira assinada. A agropecuária também registrou aumentou no mês, reforçando o avanço verificado nos primeiros cinco meses do ano, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

A construção civil, que já foi um puxador de vagas, encontra-se em refluxo e mostra desempenho fraco, com recuo no número de novas vagas mês após mês. Mas a redução do número de novos postos formais, em maio, deveu-se, principalmente, ao setor da indústria de transformou. Houve saldo negativo no mês, com a perda de 28,5 mil postos. O comércio, de seu lado, apresentou estabilidade.

Os salários pagos no mercado formal de trabalho continuam subindo acima da inflação, mas também nesse aspecto o ritmo das altas vem diminuindo. O fato de que os salários de admissão estejam crescendo num passo menor do que o de demissão indica que os novos contratados já não conseguem os mesmo ganhos dos trabalhadores substituídos.

Os dados do mercado de trabalho formal em maio corroboram o que outros indicadores da economia estão demonstrando: o nível de atividade deu uma esfriada relativamente forte no segundo trimestre de 2013. São crescentes as possibilidades de um recuo, na comparação com o primeiro trimestre do ano.

 

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