Equipe econômica segue tradição e faz projeções “realistas” com risco de estarem fora da realidade

José Paulo Kupfer

17 de agosto de 2016 | 17h49

Seja um “dream team” de estrelas econômicas ou um amontoado de economistas da terceira divisão, não há equipe de governo que não produza contorcionismos nas projeções de indicadores revelantes, para acomodar suas propostas orçamentárias. Também não há diferenças entre eles quando se trata de classificar como “realistas” previsões que, logo ali na frente, tendem a mostrar o quanto estavam fora da realidade — em relação à qual se revelam, enfim, super ou subestimadas, conforme o caso e as necessidades de fechar as contas.

A atual equipe econômica, seguindo a tradição, está se arriscando tanto no lado das previsões de receitas públicas para 2017 quanto no das despesas. Até o dia 31, prazo final para a entrega ao Congresso do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2017, ainda é possível alterar premissas e cálculos, mas as indicações do momento permitem imaginar que os números de trabalho da equipe comandada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, estão esticados nas receitas e encolhidos nas despesas.

Conforme relato do Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, o secretário de Política Econômica do ministério da Fazenda, Carlos Hamilton Araújo, reafirmou nesta quarta-feira que o governo prevê uma elevação de despesas públicas, em 2017, dentro dos critérios da proposta de fixação de um teto de gastos limitado à inflação do ano anterior.

Daí a elevação, no PLOA, do montante de gastos em 7,2%, entre 2016 e 2017, exatamente a projeção oficial da inflação para 2016. Ocorre que a proposta do teto mal entrou em debate no Congresso e as perspectivas de que seja aprovada exatamente como formatada pelo governo são, para ser otimista, relativamente baixas, diante das várias frentes de resistência que já enfrenta.

Também do lado das receitas, a Fazenda se revela otimista. Isso decorre das projeções oficiais para a expansão do PIB, no ano que vem. Enquanto os economistas do mercado ainda acreditam que, na média, em 2017, a economia crescerá 1,1%, os do governo elevaram suas estimativas de1,2% para 1,6%. Alegam que há especialistas prevendo variação positiva de 2% e até um pouco mais. Esquecem, porém, que há outros com visão menos otimista, entre os quais os respeitados economistas do Ibre/FGV, cuja projeção para o PIB de 2017 ainda está abaixo do 0,5% estimado pelo FMI.

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