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Erros e acertos da chutometria

José Paulo Kupfer

21 de dezembro de 2010 | 12h28

Saiu, nesta terça-feira, o IPCA-15 de dezembro, a prévia do índice de preços que serve de base para as metas de inflação. A alta no ano ficou em 5,79%, acima do centro da meta, mas dentro – e com pequena folga – do intervalo aceito pelo sistema.

A tendência, de acordo com a maior parte das análises convencionais, é que dezembro pode ter refletido o pico de alta do IPCA no atual ciclo. O índice, ainda fortemente influenciado pelo item alimentos – e com ênfase na carne bovina –, apresenta trajetória previsível de acomodação. Nem por isso os analistas convencionais reduzem, em suas considerações, a probabilidade de elevações na taxa básica de juros.

Prever o futuro próximo, em economia, é uma atividade rotineira, que ganhou grande impulso com os programas de computador capazes de manipular em segundos milhares – ou mesmo milhões – de informações. Acertar é que são outros quinhentos porque não é a quantidade de dados que determina a qualidade da projeção, mas as articulações teóricas das variáveis definidas nos sistemas de equações.

 No fim das contas, o índice de acerto depende mais da sensibilidade do profeta em captar as tendências históricas e os comportamentos sociais. O que está diretamente ligado ao grau de preconceito e ideologia embutidos nos modelos de previsão.

O resumo dessa ópera é que, no campo da previsão econômica, tudo ainda se passa no mundo da chutometria. E não deixa de ser engraçado observar o estilo com que os argumentos que pretensamente sustentam os chutes são articulados para lhes dar um ar de ciência exata.

* * *

Desde 2004, quando editava a falecida revista Foco, escrevo uma “retrospectiva” do ano que vai começar. É uma brincadeira com a enxurrada de previsões e projeções para o ano que começa, produzida por todas as consultorias de economia e departamentos econômicos de bancos.

Trata-se de uma autêntica “análise científica” dos movimentos macroeconômicos, ao estilo dos consultores e economistas de mercado, que, observada um ano depois, fica bem curiosa – para não dizer cômica. E que confirma uma das muitas definições de economista:

“Economista é aquele especialista que saberá amanhã por que as coisas que previu ontem não aconteceram hoje”.

Com a promessa de que, antes da virada do ano, o blog publicará a “retrospectiva 2011 – o que aconteceu no ano que vai começar”, deixo com vocês a “retrospectiva 2010”, publicada em 1º. de janeiro deste ano. Divirtam-se.

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