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Estagflação?

José Paulo Kupfer

31 de outubro de 2011 | 18h13

Estaria a economia global caminhando para uma fase de estagflação? É, evidentemente, muito cedo para uma resposta. Mas, as trajetórias do ritmo de atividades e da alta de preços estão seguindo tendências invertidas.

Com relação ao desempenho da economia, as estimativas mais recentes apontam para baixo.  Cerca de 1% para a Europa, algo próximo disso para os Estados Unidos, desaceleração na China e demais emergentes. Não muito mais do que 3% para a economia global, na avaliação de FMI e OECD.

Já a inflação está em alta generalizada. Nos EUA e na Europa, os índices de preços avançaram além do ponto em que se encontravam quando a crise global eclodiu.

O economista e consultor Silvio Figer produziu um quadro resumo em que relaciona a política monetária dos diferentes bancos centrais com as tendências da inflação:

1) Estados Unidos – a inflação americana mantém trajetória ascendente, praticamente em 4% ao ano, o que leva o juro real negativo de quase 4% anuais. Nos EUA, vigora uma meta de inflação informal de 2% ao ano.

2) Japão – a inflação está em zero, com juros reais idem.

3) União Europeia – a inflação europeia mantém trajetória ascendente, chegando a 3% em 12 meses ano. Chama a atenção a inflação alemã, que atingiu 2,8% – um número incrível para a Alemanha.

4) Reino Unido – a inflação passou de 5%, o que leva o juro real a 4,5% negativos. Na Inglaterra, um movimento relevante: apesar da elevada inflação, aumentaram o afrouxamento monetário, elevando o programa de compra de ativos dos bancos de £ 200 bilhões para £ 275 bilhões (um aumento de 35% de uma só vez).

5) China – a inflação é alta (6,10%, em 12 meses), mas em trajetória ligeiramente descendente, e juros reais ligeiramente positivos.

O resumo da ópera, para Silvio Figer, é que, exceto o Banco do Japão, os demais abandonaram a missão de manter a evolução dos preços dentro das metas, formais ou informais, estabelecidas. “Está ocorrendo uma nítida coordenação de políticas inflacionárias”, conclui Figer, com ironia.

Figer não colocou, no seu resumo, a situação brasileira. Aqui, como se sabe, a economia está em recuo, para 3% ou menos neste ano, e algo um pouquinho acima em 2012. Ao mesmo tempo, a inflação, depois de atingir um pico de 7,3% em 12 meses, deve iniciar um ciclo de baixa, até bater em uns 5,5% em 12 meses, no mês de abril ou em maio.

Com as expectativas de novos cortes nos juros básicos até o fim do ano, a taxa real recuaria para 4,5% no fim do ano, podendo chegar a 3,5%, ao fim do primeiro trimestre de 2012.

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