Coluna

Fabrizio Gueratto: como o investidor pode recuperar suas perdas no IRB Brasil

Estímulos em conta-gotas

José Paulo Kupfer

30 de março de 2009 | 13h54

As medidas de desoneração fiscal e estímulo ao crédito, anunciadas agora há pouco pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, reforçam a idéia de que o governo ainda não acredita que a economia brasileira, em 2009, vai para o buraco. Ainda que o Banco Central já esteja estimando um crescimento de apenas 1,2% este ano e o próprio Mantega afirme agora que ficará satisfeito com qualquer expansão positiva, o ataque aos impactos da crise na economia brasileira continua sendo feito a conta-gotas. 

As medidas anunciadas são necessárias mas não parecem suficientes para compensar as perdas já incorridas e muito menos influir na redução de incertezas para a decisão de compra dos consumidores e de oferta pelos empresários. Mesmo o esquema de estímulo de crédito, para instituições financeiras menores, via garantias, que é importante para irrigar o consumo, terá, se funcionar, impactos bem parciais.

Não estamos falando, tudo bem, do pacotão habitacional. Mas também, se der certo, dará certo, claramente, mais lá na frente. Mas o fato é que, comparadas com o que tem sido feito em outras economias, as providências adotadas pelo Brasil para enfrentar a crise são nitidamente mais tímidas.

Isso inclui, obviamente, a atuação do Banco Central. E deveria incluir uma decisão mais arrojada em relação às metas de superávit primário – uma jabuticaba que, no momento, diante do mundo, virou um exotismo. Podemos nos dar a esse luxo?

Hoje mesmo, junto com o anúncio das novas medidas, saiu o IGP-M de março. É um salto no precipício, um recuo de quase 1%, o maior em cinco anos. Mau sinal. Ainda em março, a redução do ritmo de atividade pode não ter chegado ao fundo do poço.

Não seria melhor, no caso atual, pecar por excesso do que por falta?

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: