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E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Exageros

José Paulo Kupfer

01 de setembro de 2011 | 18h58

Não é possível disfarçar a surpresa provocada pela decisão do Banco Central de cortar, na reunião do Copom desta quarta-feira, os juros básicos da economia. Ninguém recomendaria subir os juros e, se a grande maioria esperasse o início do ciclo de cortes em outubro, havia uma minoria sugerindo começar a cortar já.  

Mas, quando veio a decisão de cortar – e de cortar forte em 0,5 ponto porcentual – a reação contrária que se seguiu à surpresa generalizada teve a força de um furacão. E de tal intensidade que, se fosse possível comparar, o Irene, diante dela, não passaria de uma brisa.

É claro que essas reações não se prenderam apenas a uma decisão que pode ser considerada tecnicamente afobada no timing e equivocada na profundidade. O que promoveu um inédito vendaval de críticas no mercado financeiro foi a percepção de que o governo da presidente Dilma Rousseff, com ela própria no comando da ação interventora, extinguiu a norma institucional vigente e atropelou sem cerimônia a autonomia informal do Banco Central, determinando que se decidisse o que foi decidido.

Tudo isso parece ser verdade. Se não partiu uma ordem direta do Planalto, as pressões, inclusive públicas, intensificadas às vésperas da reunião do Copom, nem foram camufladas.

Mas, não é verdade – ou pelo menos não é uma verdade que se possa comprovar neste momento – que, depois do Copom de agosto, morreram, em duplo acidente, a credibilidade do Banco Central na coordenação do sistema de metas de inflação e o próprio sistema de metas de inflação.

Se a coordenação de expectativas do BC se limitasse às do mercado financeiro, não haveria dúvida de que este é um momento de ampla falta de sintonia. Mas, se tal coordenação deve englobar os outros segmentos da economia e, enfim, a sociedade em geral, a conversa da credibilidade precisa de qualificação e ir bem mais longe.

A prova do pudim, nesta questão, é a trajetória da inflação. Na presente quadra, a tendência do IPCA em 12 meses é de queda, mesmo com o início de um processo de expansão monetária. A razão é simples: a inflação verificada nos mesmos meses do ano anterior, a partir de setembro agora, foi bem elevada, ficando acima, em certos meses bem acima, das projeções para os meses futuros.

A moral da história é que se pode concluir, no caso da inflação, é que os índices, mesmo recuando, rodam em zona desconfortável, entre 5% e 6% ao ano. Mas, até prova em contrário, é um exagero falar em descontrole inflacionário.

Tudo bem medido, é cedo para dizer que o BC errou, assim como é cedo para dizer que acertou. O máximo que se poderia dizer, neste momento, é que BCs podem errar – e erram.

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