Faltam regras para os economistas operadores

José Paulo Kupfer

14 de janeiro de 2008 | 17h52

Não é o caso de cansar a beleza dos leitores com uma discussão sobre as projeções para a economia mundial – e brasileira – que continuam jorrando aos borbotões. A experiência tem mostrado que, se errar é humano, os economistas que fazem projeções macroeconômicas estão entre os mais humanos dos profissionais.

As projeções macroeconômicas do começo do ano são uma tradição mundo afora, mas seu valor não é grande coisa. Impossível prever todos os choques e rupturas que ocorrerão ao longo do ano. Assim, no máximo, elas valem como uma referência bem básica sobre o “mood” econômico no ano que se inicia.

Mas é bom não esquecer que, dependendo de quem as faça, o valor da projeção, mesmo que apenas como referência, pode ser praticamente nenhum. É o caso das projeções dos economistas dublês de operadores de mercado.

Não que eles não tenham competência para fazer previsões. Mas seria bacana que suas projeções fossem acompanhadas de um resuminho atualizado de seus portfolios de aplicação financeira. Vai ver, por exemplo, que o atual pessimismo de uns e outros tem mais com posições vendidas a descoberto do que com o que realmente possa acontecer na economia ao longo do ano.

A propósito, não dá para entender por que a CVM, em nome da transparência de mercado e da isonomia de informações, não regulamenta a intensa atividade midiática dos economistas que operam no mercado?