Fed: está de bom tamanho

José Paulo Kupfer

22 de junho de 2011 | 18h34

O Comitê do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), o Copom americano, decidiu, nesta quarta-feira, manter, por mais um período, os juros de referência da economia americana no intervalo entre 0% e 0,25% ao ano. Os juros de referência serão mantidos neste nível mínimo até pelo menos novembro. Mas muito analistas preveem que só deverá haver um aumento no ano que vem.

No comunicado em que anunciou a decisão e na entrevista de Ben Bernanke, presidente do Fed, que se seguiu à divulgação do comunicado, ficou claro que não haverá prorrogação no chamado “afrouxamento monetário quantitativo” (QE2) que, em sua segunda etapa, terminará no prazo previsto, em 30 junho, com a conclusão da recompra pelo Fed de US$ 600 bilhões em títulos do Tesouro.

Importante ressaltar que o programa de injeção de recursos não será prorrogado nem ampliado, mas isso não significa que cessará a reinversão na economia dos recursos resultantes das amortizações dos títulos do Tesouro. É menos liquidez, mas não uma seca.

Bernanke reconheceu que a economia americana se recupera em ritmo mais lento do que imaginado quando o plano de injetar dinheiro foi concebido, mas considera que o programa de injeção de dinheiro deu o que tinha de dar. Agora, o que vai fazer a economia andar para frente, sem maiores pressões inflacionárias, será o juro baixo.

O Fed está prevendo uma pequena redução do desemprego para este ano e o próximo e um crescimento, em 2011 e 2012, menor do que o estimado até abril por seus diretores.

Sinais de algumas pressões inflacionárias parecem ter colaborado para a decisão de encerrar o bombeamento direto de dólares na economia. As previsões do Fed para a inflação subiram em comparação com os números divulgados depois da última reunião do Fomc. Agora, os diretores do Fed preveem inflação de até 2,9%, em 2001, e de 2%, a meta informal, em 2012. Mas nada que eles considerem fora de controle.

Em resumo, o Fed considera que a economia crescerá menos, com um pouco mais de inflação, mas, diante das circunstâncias, até que está de bom tamanho.

Apesar dos riscos e dos temores que um QE3 pudesse produzir na economia global, o encerramento não prorrogável do QE2 também lança no ar medos e incertezas. As primeiras análises preveem um novo período de instabilidade nos mercados, antes de uma acomodação. Em função das tendências de alguma valorização do dólar, novas quedas nas cotações de commodities e do euro entraram na mira dos analistas.

Os analistas imaginam também que investidores internacionais podem reduzir a pressão sobre os mercados emergentes. Mas ainda é muito incerto em que nível isso se dará.

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