FMI ajusta projeção do PIB brasileiro, mas continua atrasado

A projeção do FMI para a evolução da economia, no novo "World Economic Outlook" foi a que mais recuou entre todos os países analisados, mostrando que a instituição já estava atrasada em suas previsões no começo do ano. Ao estimar agora retração de 1% para 2015. o FMI continua atrasado, em relação ao consenso do mercado, que converge para recuo de 1,5%.

José Paulo Kupfer

15 de abril de 2015 | 16h40

O tradicional “World Economic Outlook”, edição da primavera no hemisfério norte, divulgado pelo FMI às vésperas da reunião conjunta com o Banco Mundial do primeiro semestre, que se realiza esta semana em Washington, traz previsões para o crescimento global em 2015 e 2016, por grupo de países e para cada integrante da organização. As projeções para a expansão da atividade econômica global não se alteraram, em relação às previsões de três meses atrás, nem a perspectiva de que as economias mais maduras terão crescimento mais forte do que as emergentes.

Nas projeções do FMI, o mundo crescerá 3,5%, em 2015, e 3,8%, em 2016. Economias avançadas teriam este ano expansão de 2,4%, enquanto as emergentes avançariam 4,3%. As primeiras seriam puxadas pelos Estados Unidos, com expansão estimada em 3,1%, no ano, e as últimas pela China, que avançaria em ritmo mais lento, mas ainda assim cresceria 6,8%. Para o Brasil, a projeção atualizada é de uma retração de 1%, em 2015, e expansão de 1%, em 2016.

No conjunto das economias que tiveram recuo nas projeções de crescimento em 2015, a brasileira foi a que sofreu o maior corte. A queda, em relação à previsão do trimestre anterior, foi de 1,3 ponto porcentual. A explicação para o fato é simplória: ao prever, no começo do ano, uma expansão de 0,3% para o PIB brasileiro em 2015, o FMI estava atrasado em relação ao conjunto das previsões conhecidas para a economia brasileira neste ano.

Mesmo com a atualização de agora, sua projeção continua atrasada. A maior parte dos analistas estima contração de pelo menos 1,5% para a economia brasileira, em 2015. É muito provável que o FMI volte a rebaixar o crescimento da economia brasileira, no próximo “Outlook”.

Na apresentação do documento, o diretor de pesquisas do FMI, Olivier Blanchard, deu um tom menos otimista ao cenário de crescimento da economia mundial em prazo mais longo. “A combinação de envelhecimento da população baixas taxas de investimento e avanços lentos na produtividade tendem a limitar o potencial de crescimento tanto nas economias mais avançadas quanto nas emergentes”, sinalizou.