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FMI: mudar para ficar igual

José Paulo Kupfer

19 de maio de 2011 | 18h17

Com a renúncia do diretor-gerente do FMI, a bolsa de apostas de seu substituto entrou em ebulição. Parece o processo de composição dos ministérios de novos governos, com a chuva característica de chutes e de lobbies.

Desta vez, no caso do FMI, a batalha da (des) informação ganhou ainda mais amplitude – e mais chutes. Desde a criação do organismo, nascido da consolidação da hegemonia econômica americana no pós-guerra, o FMI sempre foi dirigido por um europeu, enquanto seu irmão gêmeo, o Banco Mundial, sempre ficou com um americano. Mas, agora, na disputa pelo cargo inesperadamente vago, entraram também economistas asiáticos, africanos e latino-americanos.

Detalhe: até no quesito escândalo com conotações sexuais, motivo que derrubou agora o francês Dominique Strauss-Kahn, a divisão estabelecida em 1944 é sólida. No fim de junho, vai fazer quatro anos que o americano Paul Wolfowitz renunciou à presidência do Banco Mundial depois do estouro de um escândalo de favorecimento profissional e salarial de uma funcionária da instituição, que vinha a ser sua namorada.

A crise econômica que assola a Europa e a cada vez mais nítida emergência das economias emergentes faz prosperar essas especulações ampliadas. Um ex-ministro turco, um cingalês e até um brasileiro, o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, entraram na roda.

Outro detalhe: Fraga é tão abertamente refratário às bossas-novas na aplicação de políticas econômicas que o FMI, sob Strauss-Kahn, vinha estimulando – óbvio que não apenas por próprio desejo – que suas chances são menos do que mínimas e ele, a bem da verdade, já se declarou fora de qualquer disputa.

O mais provável, no entanto, é que a abertura para não europeus na direção do FMI fique mais para frente. E aí, pelo menos no momento, a mais citada é a ministra das finanças da França, Christine Lagarde.

Difícil mesmo é acreditar que uma instituição do peso de um FMI possa mudar de personalidade com a substituição de seu diretor-gerente. O próximo ocupante da cadeira deixada por Strauss-Kahn será alguém mais afinado com o clima de mudança soft no modo de ver a economia global que o francês, diante das circunstâncias da economia global, foi obrigado a conduzir. Ou que, no fim das contas, se comprometa a levá-lo adiante.

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