Foi dada a partida

José Paulo Kupfer

17 de junho de 2009 | 21h18

As primeiras reações nos Estados Unidos à proposta de reforma financeira lançada hoje pelo presidente Barack Obama foram as que se pode esperar nesses casos: quem não gosta de mercados regulados detestou, quem acha necessário regular mercados gostou. Todos, porém, concordam que o plano apresentado é um rascunho.

A reforma, de fato, prevê a formação de várias comissões, encarregadas de desenvolver os diversos aspectos das múltiplas frentes que a proposta de reforma procura abarcar. Essas comissões deverão apresentar suas conclusões na entrada do último trimestre deste ano. Os detalhes do plano, portanto, ainda estão por ser modelados. Mas, isso, para muitos, é positivo: vai permitir um debate mais amplo e aprofundado das regras propostas.

Paul Krugman, o Prêmio Nobel e colunista do The New York Times, que aprovou a idéia geral, destacou o ponto em que a reforma promete mecanismos para estender ao sistema financeiro como um todo as regras de supervisão típicas dos bancos comerciais, sobretudo no que se refere ao nível de alavancagem das instituições.

Poucos, no entanto, se aventuraram a decretar, neste primeiríssimo momento, o sucesso ou o fracasso da reforma. A dificuldade de encontrar meios para supervisionar com eficiência o hoje amplíssimo espectro do mundo financeiro, mas sem engessá-lo, faz acreditar que vai demorar até que o novo modelo esteja funcionando na plenitude. De todo modo, foi dada a partida.

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