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Fome atinge nível mais alto em quatro décadas

José Paulo Kupfer

15 de outubro de 2009 | 15h41

Aqui vai um resumo do “press release” divulgado nesta quarta-feira, 14 de outubro, pela FAO, anunciando a publicação da edição 2009 do relatório “A situação da insegurança alimentar”. Não há uma linha sobre o assunto nos principais jornais do País, nesta quinta-feira.

Segurança alimentar é um conceito que expressa a capacidade de uma sociedade prover, sem incertezas, comida de qualidade, na quantidade requerida para uma vida saudável e produtiva, todos os dias, para todos os seus integrantes.

O relatório mostra que, com todo o progresso e a prosperidade dos últimos anos, mesmo antes da crise global, aumentou a insegurança alimentar no mundo. Depois da crise, a situação piorou, como era de se esperar. Aqueles que vivem em insegurança alimentar cumprem o trágico destino de formar o exército das maiores vítimas das crises econômicas.

No meu modo de entender, qualquer progresso econômico, em ambiente de insegurança alimentar, mancha e desqualifica a civilização. Do ponto de vista econômico, é supérfluo e instável.

Segundo a FAO, a fome atingiu, em 2009, o maior número de pessoas desde 1970. Mesmo não configurando nada de novo, a fome no mundo é encarada com uma naturalidade inaceitável, que deveria envergonhar – ainda mais quando, em pleno século XXI, só faz aumentar. Ainda que conviver com a fome é a regra, o chocante é que problema não produza nenhum choque.

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A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e o Programa Mundial de Alimentos (PAM) publicaram hoje um relatório sobre a fome no mundo.

São devastadores os efeitos da crise econômica sobre as populações carentes. Mais de 1 bilhão de pessoas passa fome no mundo, um aumento de 9% em relação ao ano passado, atingindo o nível mais elevado desde 1970.

Estes dados estão contidos no relatório da FAO e do PAM intitulado “A situação da insegurança alimentar”, edição de 2009, divulgado nesta quarta-feira, às vésperas do “Dia Mundial da Alimentação”, que se comemora amanhã, dia 16.

Segundo o relatório, a maioria das pessoas que passa fome se encontra nos países subdesenvolvidos. Na Ásia e no Pacífico são 642 milhões; na África subsaariana são 265 milhões; na América Latina e Caribe, 53 milhões; no Oriente Médio e na África do Norte, 42 milhões e nos países desenvolvidos, 15 milhões.

Na última década o número de pessoas subnutridas aumentou de maneira lenta, mas constante. Grandes passos foram dados contra a desnutrição nos anos 80 e nos anos 90, por causa dos investimentos na agricultura depois da crise mundial de alimento dos anos 70. Mas de 1995 a 1997 e de 2004 a 2006, com a queda da ajuda ao desenvolvimento da agricultura, o número de pessoas desnutridas aumentou em todas as partes do mundo.

“O número de pessoas que passam fome mostra a “extrema fraqueza dos governos em garantir a segurança alimentar de suas populações”, afirmou o diretor geral da FAO, o senegalês Jacques Diouf. Segundo a FAO, nos últimos anos, o número de famintos aumentou não só nos períodos de crises econômicos e preços em alta, mas também nos de prosperidade e queda nos preços.

“Os líderes mundiais reagiram com determinação contra a crise econômica e financeira e foram capazes de mobilizar bilhões de dólares num breve espaço de tempo”. Ressaltou Diouf, “a mesma determinação é necessária agora para combater a fome e a pobreza”.

Diouf concluiu ser necessário investir no setor agrícola dos países subdesenvolvidos, não somente para exterminar a fome e a pobreza, mas também para assegurar um generalizado crescimento econômico, a paz e a estabilidade no mundo.

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