Futebol e negócio

José Paulo Kupfer

28 de setembro de 2011 | 18h01

Vou aproveitar a relativa trégua dos mercados, lá fora e aqui, nesta quarta-feira, para recomendar uma visita ao material especial que o site E&N, do portal do Estadão, publicou sobre o negócio do futebol no Brasil. O tema é rico e o tratamento dado ao especial também.

A base é um estudo bem detalhado, que parte de um esforço para dimensionar o mercado e estabelecer o valor das marcas dos 12 principais clubes de futebol brasileiros. Além de um belo resumo dos resultados do levantamento, o especial apresenta, na forma de vídeo, análises de especialistas.

Realizado pela BDO RCS, braço brasileiro da consultoria global BDO, pelo terceiro ano consecutivo, o relatório

traz conclusões animadoras. O valor das marcas e as receitas em geral dos clubes estão em crescimento e a tendência é que continuem crescendo, nos próximos anos.

O estudo revela que o valor consolidado das marcas dos 12 mais importantes clubes brasileiros de futebol ultrapassou R$ 4 bilhões. Com mais de R$ 860 milhões e 21% do total, o Corinthians detém a marca mais valiosa. O Flamengo vem em segundo lugar, seguido de perto pelo São Paulo. De 2004 a 2011, os três elevaram a participação de cada um no bolo consolidado das marcas, ao passado que o Palmeiras, quarto colocado, experimenta uma queda na participação relativa.

Há, no estudo, muitos outros dados interessantes, capazes de alimentar boas discussões. Detalhe importante: a paixão clubística, como afinal – e ainda bem – era de se esperar, tem papel crítico no mercado do futebol. Tanto que o “fator torcida” é o que mais pesa na formação do valor das marcas. Dos torcedores  – e do aproveitamento mercadológico que os clubes fazem dessa relação apaixonada – deriva quase metade do valor da marca de um clube.

O quadro mostrado pelo relatório da BDO indica que os clubes brasileiros de futebol têm potencial para disputar um mercado global, ao lado de ingleses, espanhóis e italianos. Para isso, como ressaltam as análises em vídeo do especial veiculado pelo site E&N, contudo, será preciso investir mais e melhor. Principalmente na formação de jogadores e na administração de suas carreiras.

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Uma menção pessoal: entre os 12 grandes do futebol brasileiro, o valor da marca do Fluminense só ganha da do Botafogo. Mas, sua torcida – relativamente pequena, experiente e de maior poder aquisitivo – contribuiu para que o glorioso tricolor das Laranjeiras, das três cores que traduzem tradição, ficasse entre os três que mais avançaram este ano.

 

 

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