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IBC-Br de maio: economia vai indo devagar e sempre

José Paulo Kupfer

14 Julho 2016 | 14h41

O IBC-Br de maio, divulgado nesta quinta-feira pelo Banco Central, mostrou recuo, em relação a abril, quando registrou estabilidade sobre o mês anterior. O resultado envidenciado pelo índice mensal de atividade econômica do BC pode ter decepcionado alguns, mas não é exatamente o caso.

Quando se decompõem os itens que formam o IBC-Br, o que se constata é a continuidade do processo de recuperação cíclico, que se dá em ritmo lento — a recuperação, com alguns desvios, vai indo devagar e sempre. A indústria, por exemplo, importante elemento de disseminação da atividade, parou de cair e, ainda que se encontre no fundo do poço, começa a influenciar, positivamente o conjunto da economia.

Tanto a indústria quanto os serviços e os insumos típicos da construção civil, de acordo com os indicadores coincidentes de maio, mostraram estabilidade sobre abril. O que destoou foi o varejo, com queda de 0,4% sobre abril. É na demanda de consumo que se localizam, no momento, as maiores resistências à recuperação.

Os dados do IBC-Br permitem supor que a queda da atividade no segundo trimestre do ano foi maior do que no primeiro. A expectativa é de um recuo em torno de 0,5% sobre o primeiro trimestre. Mas, com a indústria conseguindo absorver estoques — a produção, de acordo com os analistas, já está abaixo da demanda —, o ritmo de queda da economia deve percorrer uma linha de ajuste daqui até o fim de 2016. As perspectivas para o PIB este ano ainda é de recuo acima de 3%.

Já desde o primeiro trimestre de 2017, porém, a variação trimestral do PIB, caso se confirmem as expectativas, ingressará em terreno positivo. Ainda obedecendo aos contornos de uma recuperação acima de tudo cíclica, projeções de crescimento além de 1,5% para o ano que vem, pelo menos até agora, representam mais desejo e torcida do que realmente indicativo da realidade.