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IBC-Br: junho fraco explica julho frágil

A base deprimida de um junho atípico explica a alta forte, mas frágil, do IBC-Br, indicador mensal de atividade econômica do Banco Central. Projeções indicam crescimento mensal mínimo nos próximos meses.

José Paulo Kupfer

13 de setembro de 2014 | 11h35

Era esperado que os cálculos da variação do PIB de julho, em relação a junho, indicassem altas mais fortes, como a apontada pelo IBC-Br, o índice mensal de atividade econômica, calculado pelo Banco Central. Junho deste ano, mês em que se desenrolou a maior parte da Copa do Mundo, foi atípico em dias com atividade econômica parcial ou integralmente paralisada pelos jogos. Isso ajudou o mês a descer a ladeira da atividade econômica ao ponto provavelmente mais baixo de 2014. A base deprimida explica quase tudo na recuperação observada em julho, que superou – e bastante – as projeções do mercado. Os números ruins do emprego industrial e das vendas no varejo, em julho, dão sustentação a esse fato.

A verdade é que a economia vive uma situação de estagnação. Analistas que estimam a variação mensal do PIB são praticamente unânimes em sinalizar crescimento miudinho nos meses que faltam até o fim do ano. Depois da esticada de julho, não há previsão de nada mais forte do que 0,2%, a cada mês ante o mês anterior, de agosto a dezembro. Isso indica uma expansão no ano cheio abaixo de 0,5%.

As aproximações do IBC-Br estão em linha com as previsões dos analistas para a variação do PIB no terceiro trimestre e no ano como um todo. Essas previsões apontam estabilidade ou pequeno crescimento, inferior a 0,5%, no período de julho a setembro, na comparação com o trimestre anterior. Expansão um pouco maior, mas ainda assim muito moderada, está sendo estimada para o último trimestre. Assim, a variação do PIB, em 2014, se restringiria, confirmando o IBC-Br a 0,5% ou mesmo um pouco menos.

Incertezas potencializadas pelo ciclo eleitoral ocupam posição de destaque entre os fatores que deverão confirmar a estagnação vigente. É o que mostram as sondagens de expectativas e é também o que está por trás da forte contração prevista para o investimento.

Em situação de virtual paralisia, o investimento deverá apresentar queda próxima a 8%, em relação ao ano passado. Trata-se de recuo ainda mais profundo do que o verificado em 2009, ano em que os impactos da eclosão da atual crise global de 2008 foram mais sentidos. Se confirmado esse prognóstico, a taxa de investimento descerá para 17% do PIB, retrocedendo ao nível de 2005.

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