IBC-Br mostra PIB ainda na descida

O índice de atividade econômica do Banco Central subiu em fevereiro, mas ficou muito longe de compensar os recuos anteriores e, principalmente, na comparação com 2014.

José Paulo Kupfer

16 de abril de 2015 | 10h20

A expansão do IBC-Br, em fevereiro, é uma candidata forte a revisões posteriores, relativamente comuns nos resultados do índice de atividade econômica, calculado pelo Banco Central. A alta de 0,36%, em relação a janeiro, surpreendeu o mercado, que esperava retração na base de comparação mensal. A surpresa se prende ao fato de que, naquele mês, tanto a produção industrial quanto o comércio ampliado registraram recuo. O desempenho da agropecuária, em especial a cultura de soja, salvou a lavoura.
Detalhe: o BC ainda não atualizou o IBC-Br à nova metodologia de cálculo das variações do PIB. Assim, é preciso levar em conta as distorções que podem ocorrer nas comparações com a nova série das contas nacionais trimestrais.
A trajetória do comportamento da economia, no primeiro trimestre, foi francamente negativa. As médias trimestrais, os índices acumulados em 12 meses e os comparados com os resultados do ano anterior reforçam a convicção de que a atividade econômica continua em desaceleração.
Essa linha descendente, continuada em fevereiro, será reforçada em março. As indicações de fraqueza da atividade econômica, refletindo baixa confiança, altos estoques e piora no emprego, atingirão com mais força a indústria de transformação e o comércio varejista e jogarão a economia mais para baixo. Com base nesse cenário adverso, os analistas projetam para o primeiro trimestre de 2015 uma contração de pelo menos 0,5% sobre os três meses anteriores e de 1,5%, em relação ao primeiro trimestre de 2014.