Juros

E-Investidor: Esperado, novo corte da Selic deve acelerar troca da renda fixa por variável

Impacto econômico de plano habitacional fica para 2010

José Paulo Kupfer

26 de março de 2009 | 15h11

Ao apresentar o programa “Minha casa, minha vida”, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, frisou os efeitos econômicos das medidas. Segundo ele, a construção de um milhão de casas populares envolverá R$ 60 bilhões, vai gerar 1,5 milhão de empregos e engordará o PIB em 2%.

Especialistas não contestaram os números do ministro, mas avisaram que, na melhor das hipóteses, esse impacto será sentido em 2010. Ou seja, apesar da propaganda do governo, o “Minha casa, minha vida” não deve ser incluído no arsenal de ações com potencial para reverter a curto prazo os efeitos da crise global no Brasil.

Também não faltaram observações sobre a crônica incapacidade do governo Lula de fazer projetos de investimento deslancharem – vide o famoso PAC. Mesmo para a iniciativa privada, tida como mais ágil na executar projetos, seria difícil erguer 1 milhão de casas em menos de dois anos. 

O próprio Lula, ainda na cerimônia de lançamento, já se encarregou de diminuir as expectativas sobre o prazo do programa. “Não há limite de tempo, portanto, não me cobrem”, disse o presidente. “A gente não tem de se importar com o tempo. Gostaria que terminássemos em 2009. Se não conseguirmos, 2010 ou 2011…”

Há barreiras burocráticas, de espaço (muitos especialistas chamam atenção para a falta de terrenos disponíveis, sobretudo nas grandes cidades) e até materiais (no pico da fase recente de crescimento da economia, no meio do ano passado, chegou a faltar cimento no mercado brasileiro).

Mesmo quando se olha apenas para o lado econômico do programa, sem nem colocar na roda os riscos urbanísticos nele envolvidos, fica claro que, para botar em pé um projeto tão ambicioso será preciso muito mais do que vontade e retórica políticas. É tarefa árdua e difícil, que exige altíssimas doses de coordenação e depende de muitos protagonistas – às prefeituras, por exemplo, está reservado um papel crítico.

Mas, manda a cautela – e a esperança –  que, antes de desanimar, se dê um tempo para que os muitos detalhes decantem.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.