Indicador do BC confirma recuperação cíclica

José Paulo Kupfer

12 de agosto de 2016 | 11h55

O IBC-Br, indicador mensal de atividade econômica apurado pelo Banco Central, confirmou, em junho, duas tendências: primeiro, a de que a economia está deixando de piorar; depois, que a melhora é lenta. Assim, veio se juntar a outros indicadores que indicam a chegada ao fundo do poço, com a consequente recuperação cíclica do nível de negócios. 

Isso significa que a situação atual reflete muito mais uma reação normalmente defasada aos ajustes promovidos em 2015, adotados, aos trancos e barrancos, pelo governo da presidente Dilma Rousseff, hoje afastada e às vésperas de seu impeachment. Os sinais de volta da confiança num futuro mais promissor, captados principalmente entre empresários — e bem menos entre consumidores —ainda são mais consequência do que causa de uma possível retomada.

O IBC-Br avançou 0,23% em junho, na comparação com maio, em linha com que as projeções dos analistas, mas ainda mostra um recuo de 3,14%, em relação a junho de 2015 e retração de 5,38%, no primeiro semestre de 2016 sobre os primeiros seis meses do ano anterior. Os resultados do mês refletem o crescimento da indústria de transformação, enquanto comércio e serviço continuaram em terreno negativo. São números menos piores do que os observados em maio e devem continuar a melhorar, pouco a pouco, à medida em que os períodos de perdas mais acentuadas, em 2015, forem ficando para trás. 

Quando se toma a média móvel trimestral, uma métrica que aproxima o IBC-Br da medição das variações do PIB, esse efeito fica bem evidente. A queda na média dos três meses encerrados em junho, de 0,53% é bem mais suave do que o recuo de 0,97%, na média do trimestre março-maio.

Com base nessa aproximação, os analistas reforçaram as previsões de que o PIB terá registrado, no segundo trimestre, recuo no entorno de 0,5%. Caso essas previsões se confirmem, o segundo trimestre de 2016 deverá marcar a maior contração trimestral no ano, mas já em trajetória de reversão, na comparação com o segundo trimestre de 2015. Não foram alteradas as projeções para o PIB deste ano, que continuam apontando contração entre 3,3% e 3,5% — menos acentuada, de todo modo, do que as previsões do começo do ano, de recuos no entorno de 4%. 

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