Indústria: vai indo, mas cada vez menos

José Paulo Kupfer

03 de julho de 2013 | 13h47

A indústria é apenas parte – e uma parte cada vez menor, em termos relativos – da economia brasileira. Mas sua trajetória nos últimos tempos, sobretudo em 2013, parece acompanhar a trajetória do PIB como um todo: vai indo em frente, muito lentamente, aos trancos e barrancos, com movimentos de vaivém, encolhendo um pouquinho, a cada momento, em relação às projeções para o ano como um todo.

Em maio, a produção industrial, segundo a pesquisa mensal do IBGE, divulgada nesta terça-feira, caiu 2%, em relação a abril, na série com ajustes sazonais. Assim como o recuo em maio foi maior do que as expectativas dos analistas, em abril a alta ficara acima das previsões. Esse sobe-e-desce é a característica do momento no setor industrial.

Daí porque os analistas estão dando mais destaque à série que registra a trajetória da média móvel trimestral, tendo o resultado mensal como ponto base. Com isso, conseguem suavizar as oscilações mensais e traçar uma curva de tendência mais adequada para visualizar as perspectivas setoriais. Considerando essa metodologia de cálculo, a produção industrial avançou 0,2% em maio, acima de 0,1% verificado em abril, e mantendo variação positiva desde janeiro.

Outro sinal de que a produção industrial ainda avança, embora muito lentamente, vem do resultado acumulado em 12 meses. Nesse indicador, em maio, ocorreu um recuo de 0,5%, mas o ritmo de encolhimento da produção foi metade do que registrado em abril.

A irregularidade da trajetória da produção industrial também aparece quando se observa o setor pelo ângulo das categorias de uso – bens de capital, bens de consumo (duráveis e não duráveis), bens intermediários. Em relação a abril, todos recuaram, com destaque para os bens de capital, com uma queda de 3,5%. No ano, porém, este setor ainda apresenta o maior crescimento e, no geral, quando se comparam os resultados de maio com o de maio de 2012, todos mostram variações positivas, exceto bens intermediários e os chamados “típicos da construção civil”.

Projeções para a produção industrial em junho, mantendo a regra recente do vaivém, apontam para um aumento de até 1% sobre junho e um até perto de 2%, na comparação com mesmo mês do ano passado. No horizonte de 2013 como um todo, as perspectivas continuam indicando crescimento, mas com tendência de encolhimento gradual no grau de variação, ao longo dos meses. Previsões de crescimento de cerca de 2%, compensando em parte as perdas de 2,7% registradas em 2012.

Esse quadro de expansão frágil configura um ambiente menos animador para as tendências do investimento e do próprio PIB.  As projeções para ambos, em 2013, a partir dos resultados da produção industrial em maio, estão sendo revisadas para baixo.

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