Inflação: início da trégua

José Paulo Kupfer

20 de julho de 2013 | 14h58

O IPCA-15 de julho próximo de zero pode ser tomado como marco de partida para um período de trégua na alta de preços capaz de se estender até o fim do ano. Salvo eventos muito inesperados – tipo terremotos no mercado cambial –, a trajetória da inflação, no segundo semestre, deve percorrer uma descendente, mês a mês, no acumulado em 12 meses.

Há, de início, uma razão aritmética para isso, definida pela base de comparação. De agosto a dezembro de 2012, o IPCA escalou forte, subindo firme de 0,41% a 0,79%. Se o desenho da curva do IPCA mensal, daqui até o fim do ano, não é tão baixo quanto o número de julho, nem mesmo mostra tendência de recuo, em relação aos meses anteriores, é difícil que alcance os níveis elevados de 2012.

Assim, pelo menos de acordo com as projeções do momento, a perspectiva é de recuo nos índices acumulados, na medida em que variações mensais mais baixas forem substituindo outras mais altas. As projeções para a inflação anual, até agora, apontam para uma variação do IPCA em torno de 5,8% em 2013, mas o resultado de julho, inferior às expectativas, pode dar início a uma revisão para menos das estimativas para o ano.

No resto do ano, os efeitos deflacionários inesperados do congelamento das tarifas de transporte urbano, registrados em junho e julho, se dissiparão. Já a variação nos preços das alimentos não deve manter o padrão deflacionário de julho e, possivelmente, agosto, mas também não parece dispor de força para repetir as explosões do segundo semestre do ano passado, que vazaram para os primeiros meses de 2013.

A falta de fôlego da atividade econômica, que começa a afetar o mercado de trabalho, provocando inclusive retração no crédito, ajuda a compor um ambiente de alívio na inflação.

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