Inflação sobe no mês, mas mantém tendência de queda em 12 meses

José Paulo Kupfer

06 de maio de 2016 | 15h22

Quem já estava pensando que a inflação ia dar moleza, descendo a ladeira em carreira desabalada, sofreu uma decepção nesta sexta-feira. Segundo divulgado pelo IBGE, a inflação de abril, em relação a março, considerando a variação do IPCA, surpreendeu com uma alta acima das projeções. A mediana das previsões apontava uma elevação de 0,54% no período, mas o índice variou 0,61% sobre o do mês anterior. No ano, a inflação já avançou 3,25% e recuou, em 12 meses, de 9,39% para 9,28%.

Mas calma aí. Ninguém precisa começar a arrancar os cabelos. No cálculo que realmente interessa, aquele do acumulado em 12 meses, que captura a tendência inflacionária numa uma visão menos instável da dança dos preços, a inflação continua apontando para baixo e deve permanecer sem interrupção, salvo imprevistos, registrando taxas de variação menores, mês a mês — só é bom lembrar que nem sempre isso ocorrerá na comparação com o mês anterior. As projeções indicam que a inflação fechará 2016 entre 6,5% e 7,5%, dependendo do maior ou menor otimismo de quem calcula e, antes disso, da menor ou maior valorização do real ante o dólar.

Pesou no IPCA, em abril, o reajuste dos preços dos medicamentos. Metade dos 12% de aumento concedidos pela agência reguladora, metade foi repassada no mês passado. Também puxaram o índice para cima as altas na alimentação fora do domícilio, e a forte elevação de 4% nas tarifas da telefonia celular. No geral, das nove categorias de produtos e serviços que compõem o IPCA, apenas três subiram, na comparação com março.

Maio, com altas previstas na remuneração de empregados domésticos (a fórmula de cálculo vai mudar), cigarros, repiques nas tarifas de energia elétrica e reajustes nas de água e esgoto, verá inflação mensal tão alta ou até mais do que em abril. É possível que configura a maior variação mensal do ano, excetuando dezembro que, sazonalmente, é o mês de variação mais pesada do IPCA. Deste mês até lá, a estimativa dos analistas é de que a inflação mensal se contenha no intervalo entre 0,3% e 0,6%. Se as projeções se confirmarem, no acumulado em 12 meses, a inflação, medida pelo IPCA, deixará a faixa dos 9% em junho e a dos 8% em outubro.