Inflação versus câmbio

José Paulo Kupfer

08 de junho de 2013 | 11h51

Com o resultado de maio, a inflação em 12 meses, medida pelo IPCA, bateu no teto da meta e, com certeza, vai mais longe em junho – entre 6,7% e 7%. Nos meses seguintes, a tendência, no acumulado em 12 meses, é de recuo, com a maior parte dos analistas ainda mantendo apostas numa alta, em 2013, entre 5,5% e 6%.

Há, no entanto, elementos novos no ambiente econômico, que tornam mais complicadas as projeções para a evolução dos índices de preços. A combinação de altas mais agressivas nos juros com a percepção de que as contas externas se deterioram, no momento em que, com a expectativa de recuperação da economia americana, o dólar ganha força, tem o poder de mexer com os preços relativos e, portanto, atingir os índices de inflação.

Não é tanto o impacto direto dos juros mais altos sobre os preços, até porque seu efeito deflacionário costuma levar algum tempo para se concretizar. Ocorre, porém, que os movimentos nos juros também afetam as taxas de câmbio e é aqui que o terreno ficou mais irregular e movediço, inclusive para os exercícios de projeção das altas de preços.

A trajetória da taxa de câmbio, de agora em diante, ajudará mais de perto no traçado do caminho que será seguido pelos índices de inflação. Como o cenário prospectivo se caracteriza pela ação de duas forças antagônicas, o desafio de adivinhar a rota do câmbio – e, em consequência, da inflação – não será dos mais triviais.

Altas nos juros tendem a valorizar a moeda local, enquanto percepções de que as contas externas se deterioram –, caso, no momento, da economia brasileira – atuam no sentido inverso. Com a atração de dólares para os Estados Unidos, na esteira da perspectiva de reversão dos afrouxamentos monetários, serão necessárias mais ações para atrair moeda estrangeira e impedir desvalorizações mais fortes do real, evitando novas pressões inflacionárias.

 

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