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Inflação volta em junho ao leito natural de queda

José Paulo Kupfer

08 Julho 2016 | 14h30

Meses de inverno, nos últimos anos, exceto 2015, têm sido aqueles em que a inflação, medida pelo IPCA, dá mais trégua. Se maio deste ano fugiu à regra, refletindo altas em preços administrados — medicamentos e tarifas de água e esgoto — e choques climáticos em alimentos, junho voltou ao leito natural e fechou com variação de 0,35% sobre o mês anterior, ligeiramente abaixo da mediana das projeções. Com isso, o acumulado em 12 meses saiu da casa dos 9% e desceu para 8,84%.

O efeito da recessão, com alguma ajuda da valorização do real ante o dólar, apareceu com mais clareza na dança dos preços ocorrida no mês passado. Sete dos nove grupos de produtos e serviços que compõem o IPCA registraram, em junho, freio no ritmo de elevação de seus preços e o índice de difusão, que marca o número de itens que sofreram aumentos no mês, recuou para 55,2%, abaixo da média histórica de 62,8%. Os núcleos de inflação também recuaram.

Pressões, concentradas em alimentos, com problemas de oferta em razão de questões climáticas — caso, no momento, do feijão e do leite, com seus derivados — devem se manter e até se acentuar, nos próximos meses. Mas não a ponto de reverter a trajetória descendente da inflação. Mês a mês, até o fim de 2016, com exceção de dezembro, as estimativas são de altas abaixo 0,5%. No acumulado em 12 meses, a tendência é de queda consistente. No fechamento do ano, depois do IPCA de junho, as estimativas variam de 6,8% a 7,5%.

O resultado da inflação em junho e as perspectivas inflacionárias futuras voltaram a animar analistas, em relação ao início do ciclo de corte da taxa básica de juros. As apostas, agora, se concentram na hipótese de que o Banco Central reduzirá a taxa básica dos atuais 14,25% para 13,25% até o final deste ano, com dois cortes de 0,5 ponto porcentual, nas reuniões do Copom em outubro e novembro.