IPCA-15 de agosto ajuda a jogar início do corte dos juros para frente

José Paulo Kupfer

24 de agosto de 2016 | 17h54

O IPCA-15 de agosto, divulgado nesta quarta-feira pelo IBGE, veio conforme as projeções dos especialistas. Fechou com aumento de 0,45% sobre julho e isso levou a um ligeiro aumento da variação acumulada em 12 meses, de 8,93%, no mês passado, para 8,85%, neste mês, porque, em agosto de 2015, a alta dos preços no mês havia sido de 0,43%.

Os resultados do IPCA-15 de agosto, reafirmando as indicações de recuo mais lento da inflação, ajudam a jogar para frente as expectativas do ansiado início de um ciclo de cortes nas taxas de juros. Em sua grande maioria, os analistas agora descartam qualquer movimento na reunião do Copom da próxima semana e passaram a considerar improvável uma queda dos juros em outubro.

Um fato que chama a atenção é a desaceleração de alguns preços dentro do item “alimentos”, notadamente feijão e leite, fatores importantes de pressão em meses anteriores. A variação dos preços do famoso feijão carioquinha, por exemplo, recuou de 58%, em julho, para 4,7%, em agosto. No caso do leite, o alívio foi menor, mas também nítido, com queda de 15,5%, no mês passado, para 12,3%, agora em agosto.

São produtos típicos de ciclo curto, com tendência a subir de preço na entressafra ou quando há quebra na produção por fatores clímaticos, mas com rápida recomposição da oferta e consequente acomodação nos preços. Não definem, portanto, tendência de trajetória em prazos um pouco mais longos.

Outro ponto que merece destaque é a desaceleração do ritmo de queda da inflação. Os preços dos alimentos, ainda que com menor intensidade, ainda pressionam a inflação — responderam por 20 pontos porcentuais da alta de 0,45% no mës, ou seja, quase a metade da elevação. Também os serviços mostram resistências e seu recuo tem sido bastante lento. Em agosto, na verdade, mesmo com queda de 0,65% para 0,55%, a inflação nos serviços, em 12 meses, deu um repique, passando de 7,29% para 7,45%. 

Um detalhe é que, depois de muito tempo, os preços administrados rodaram em agosto abaixo dos preços livres. A alta no segmento, em 12 meses, alcançou 8,6%, em agosto, enquanto os livres subiram 9%.

Com o resultado do IPCA-15, as projeções para o índice cheio de agosto apresentam agora ligeira elevação. Os analistas esperam uma alta em torno de 0,45% no mês e com isso a inflação pelo IPCA em 12 meses subiria de 8,74%, em julho, para 9%, em agosto.

No ano, as previsões também subiram ligeiramente, consolidando-se nas vizinhanças de 7,3%. Mas, agora, o viés é de alta, diante da hipótese de mudança de bandeira no mercado de energia elétrica, nos próximos meses.

Tendências: