IPCA-15 de junho recoloca inflação em trajetória descendente

José Paulo Kupfer

21 Junho 2016 | 16h06

Depois de um repique em abril e, sobretudo, em maio, a inflação parece ter voltado ao leito natural reservado para ela pelas atuais condições da economia. É isso que se pode inferir da variação do IPCA-15 em junho, divulgado nesta manhã de terça-feira pelo IBGE. Bem abaixo das expectativas de mercado, o índice mostrou avanço de 0,4%, na comparação com o mês anterior. Em 12 meses, saiu do nível de 9% e desceu para 8,98%.

O resultado — e o erro dos analistas — se deveu a uma queda mais forte do que o esperado no item alimentação, com destaque para os produtos “in natura”, acompanhado, em menor escala, por outro item que costuma se movimentar em sincronia, caso da alimentação fora do domicílio. Também os medicamentos subiram menos, praticamente esgotando as pressões altistas dos reajustes anuais em vigor a partir de abril.

Chamou a atenção, desta vez, o recuo do índice de difusão para 58,9%, abaixo da média histórica de 62,5%, depois de permanecer acima de 65% por um período relativamente longo de tempo. O índice de difusão aponta o número de itens, na composição do índice, que observaram qualquer aumento de preço no período de apuração.

Conhecida a evolução do IPCA-15, as projeções para o IPCA cheio de junho recuaram, convergindo para o entorno de 0,35%, o que levaria a inflação em 12 meses para a vizinhança de 8,85%. A tendência do IPCA, no acumulado em 12 meses, mantém direção de queda, com recuos contínuos, mês a mês, até fechar 2016 entre 7% e 7,5%, ainda acima de 6,5%, que delimita o teto do intervalo de tolerância, em relação ao centro da meta de 4,5%.

Um pouco diferente é a trajetória projetada para o IPCA, na comparação mensal. A pressão do preços dos grãos — que influencia amplamente o item alimentos, afetando preços de carnes e produtos industrializados —, já presente nos índices do atacado em maio, deve, por exemplo, provocar um repique na inflação de julho.

A variação do IPCA do mês que vem está sendo estimada acima de 0,5%, o que não seria suficiente para reverter a continuidade da queda em 12 meses.  Mas, de outro lado, reforçaria dúvidas sobre a possibilidade de que o novo e esperado ciclo de corte nas taxas de juros ser deflagrado já no início do segundo semestre.