Ironias de mercado

José Paulo Kupfer

25 de novembro de 2011 | 18h33

Metade do mercado, nesta sexta-feira, continuava a apostar num corte de 0,75 ponto na taxa básica de juros, na reunião do Copom da semana que vem, mesmo depois das declarações do presidente do Banco Central, quinta-feira, reafirmando a conveniência de promover ajustes “moderados” nos juros, diante do quadro econômico internacional.

A onda de apostas em cortes mais fortes na taxa básica vem se formando já faz algum tempo e engrossa com a gradual piora da situação econômica da Europa. Depois de sofrer ataques pesados e enfrentar o fogo de barragem de analistas inconformados com o início do ciclo de corte nos juros básicos, em fins de agosto, vai ver que, daqui a pouco, O BC se verá diante do risco de ser criticado por se mostrar muito lento e cauteloso no corte dos juros.

* * *

As bolsas de valores ao redor do mundo têm se agarrado ao que podem para evitar a monotonia de pregões consecutivos de queda nas cotações. Qualquer notícia chinfrim, mas com algum mínimo sinal positivo, é motivo para altas, às vezes fortes.

Desde que a crise global ganhou os contornos dramáticos que lhe trouxe o grande nó europeu, os mercados mudaram seu padrão de atuação. Planejamento e estratégias deram lugar a reações de manada. A direção muda a cada dia, transformando os investidores em “day traders” compulsórios.

Nesta sexta-feira, por exemplo, os mercados europeus se animaram e os americanos se seguraram com uma declaração assim, assim do presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso – segundo ele, a chanceler alemã, Angela Merkel, não se coloca exatamente contra a criação de um eurobônus, mas questiona o momento certo de lançá-los.

Os mercados também evitaram novas quedas se apegando a uma torcida para que a temporada de Natal confirmasse as perspectivas insinuadas com a animação da Black Friday, tradicional liquidação de varejo, em seguida ao Dia de Ação de Graças, que dá início às vendas de fim de ano.

Nenhum mercado, convenhamos, pode ir muito longe com estímulos dessa qualidade. Mas é assim que tem sido, nesses tempos sombrios.

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.