Juros: freada de arrumação

José Paulo Kupfer

18 de abril de 2013 | 10h35

Ao dar início a um novo ciclo de alta na taxa básica de juros (Selic), no momento em que as pressões de preços dão sinal, pelo menos temporário, de arrefecimento, o Comitê de Política Monetária (Copom) não introduziu nenhuma inovação na condução da política monetária. O mesmo movimento, apenas com sinal invertido, foi feito quando começou o ciclo agora encerrado de redução nos juros básicos, em agosto de 2011.

Naquela ocasião, a inflação escalava há meses acima do teto da meta e ainda alcançaria, no mês seguinte, setembro de 2011, um pico em 12 meses de 7,3%, mas a Selic, mesmo nesse ambiente de pressão inflacionária, tinha sido cortada de 12,5% nominais ao ano, nível de julho, para 12%%, em agosto. Quando a inflação fechou o ano no exato limite do teto da meta, a taxa Selic já havia sido cortada para 11% e ainda cairia, até outubro seguinte, para os 7,25% em que permaneceu até agora.

As projeções hoje disponíveis indicam descompressão nos preços dos alimentos, pelo menos em abril e maio, além de reduções no ritmo de altas em outros itens importantes, como despesas pessoais e transportes. Os analistas trabalham com variações do IPCA, em abril e maio, menores do que as registradas nos mesmos meses do ano passado.

As estimativas, assim, levam à previsão de que, no acumulado em 12 meses, a inflação retornará para o intervalo da meta, aninhando-se nas vizinhanças de 6,3%. Excetuando junho, o restante do ano pode mostrar trajetória inflacionária cadente, sustentando a hipótese de que 2013 terminaria com variações de preços inferiores aos 5,83% de 2012.

É evidente, porém, que, pelo menos neste momento, algumas condições gerais da economia pioraram. O crescimento tem sido mais lento do que o desejável e se dá, até aqui, numa trajetória de altos e baixos. Talvez seja um exagero falar, como alguns estão falando, em descontroles, mas só fechando os olhos é que não se enxergará desequilíbrios de diversas naturezas.

É nesse cenário que se deve avaliar a decisão do Copom. Sim, os choques de oferta que causaram forte impacto nos índices de preços em 2012parecem ter se atenuado, mas, no conjunto da economia, a corda – tanto no lado dos preços quanto no da política fiscal e da cambial – está muito esticada. Uma freada de arrumação, gradual e limitada, teria a função de reduzir tensões, ajudando a recolocar o crescimento numa trajetória menos pedregosa.

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