Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Lenha na fogueira da inflação

José Paulo Kupfer

10 de abril de 2014 | 17h26

O IPCA de março, mais forte do que a mais forte das expectativas, põe, é certo, mais lenha na fogueira da inflação. Não se pode esquecer, porém, que a fogueira já estava queimando antes de o índice ao consumidor receber em cheio o choque na oferta de alimentos, originado numa longa e atípica estiagem ocorrida no verão de 2014, que já havia lançado às nuvens os preços agrícolas no atacado.

Depois da variação de 0,92%, em março, a trajetória da inflação não mudou de direção. Já vinha escalando acima dos 6% e no rumo de ultrapassar o centro da meta em meados do ano. Mas, se não alterou o desenho da curva, o robusto IPCA do mês passado a empurrou para cima.

A pressão dos alimentos, como previsto, já começou a ceder, o que ajudará a aliviar os índices mensais, daqui até o fim do terceiro trimestre. Em razão disso, é possível que o índice de março venha a ser o índice mensal mais alto do ano. Mas a pressão continua forte. Dos 9 grupos em que o IPCA é dividido, 6 já superaram o teto da meta, no acumulado em 12 meses.

Antes do IPCA de março, o grosso das projeções sinalizava que, no acumulado em 12 meses, a inflação ultrapassaria o teto da meta em julho, permanecendo nessa incômoda região até setembro. Agora, ficou mais provável que o teto seja superado em junho e que a permanência da inflação além do limite superior do intervalo permitido se estenda, numa estimativa com algum otimismo, pelo menos até novembro.

No Relatório de Inflação de março, o Banco Central calculou em 38% a possibilidade de 2014 fechar com alta de preços acima do teto da meta. Depois do IPCA de março, essa probabilidade aumentou – e muito.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: