Lobby versus “ciência” econômica

José Paulo Kupfer

02 de dezembro de 2009 | 10h24

Deu nas folhas que, depois do IOF nas aplicações de estrangeiros, a participação do capital externo no mercado de ações recuou para os níveis de cinco anos atrás. Essa participação era de 33,7% em outubro e fechou novembro em 28,1%, a menor desde os 27% de dezembro de 2004. A “fuga” do capital externo resultou numa redução de 12,6% no total das transações realizadas, entre outubro e novembro.

Beleza. Acontece que, no primeiro mês de cobrança do IOF, os índices de valorização na BM&F continuaram em alta. No primeiro pregão de dezembro, o Ibovespa alcançou 68 mil pontos, novo recorde histórico. No mês de novembro, a Bolsa subiu quase 9% (no ano, acumula extraordinários ganhos acima de 80%).

Vai daí que, se a BM&F perdeu – e, pelo menos por enquanto, só um pouquinho – o investidor continuou ganhando. Com um ligeiro ajuste (taxação de IOF nas aplicações no exterior em ADRs), por enquanto, a medida tem operado de acordo com os objetivos declarados do ministro da Fazenda, Guido Mantega: reduzir um pouco o fluxo de capital externo.

Quem se lembra das pressões e das desqualificações de que foi vitima o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e dos alertas descabelados de doutos economistas sobre a ineficácia da medida e riscos para a economia nela embutidos, terá mais um ótimo exemplo de como a defesa de interesses particulares pode aparecer disfarçada de análise econômica “científica”.

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