Mais desemprego e menos renda

José Paulo Kupfer

29 de abril de 2016 | 17h36

Saíram os resultados da PNAD Contínua de março e, como era de esperar, a taxa de desemprego continua avançando, chegando, no período janeiro a março, a 10,9% da força de trabalho.  Com a PNAD Contínua, o IBGE afere, a cada mês, a evolução do emprego e do desemprego no País, com base numa média móvel trimestral. Nos trimestres encerrados em fevereiro e janeiro, o desemprego alcançou 9,5% e 10,2%, respectivamente.

A pesquisa retrata uma deterioração forte do mercado de trabalho, em relação aos mesmos períodos do ano passado. A população ocupada, por exemplo encolheu 1,2% no trimestre encerrado em janeiro sobre os três meses terminados em janeiro de 2015, caiu 1,3%, em fevereiro e 1,5% agora em março. A população economicamente ativa (PEA), ao contrário, vem aumentando, numa velocidade de 1,8% a cada trimestre móvel, entre janeiro e março.

Na comparação com o trimestre anterior, o último de 2015, o contingente de desocupados aumentou em 2 milhões de pessoas e agora soma 11 milhões de trabalhadores. Em relação a igual trimestre do ano passado, houve a incorporação de 3,2 milhões de pessoas ao conjunto de desempregados, expressando uma elevação de 40% nesse contingente.

Essa situação de elevação da PEA e redução da população ocupada explica a velocidade mais acelerada do aumento da taxa de desemprego. Significa que, enquanto mais trabalhadores perdem seus postos, mais pessoas está procurando ocupação. O resultado combinado dos dois movimentos é uma aceleração da taxa de desemprego.

O quadro do momento é um retrato invertido do que ocorreu até meados de 2015. A economia vinha desacelerando desde o segundo trimestre de 2014, mas a taxa de desemprego resistiu em níveis baixos por um bom tempo, ainda que em sucessivos pequenos aumentos. Agora, enquanto a atividade econômica, por força da profundidade da recessão, começa a dar sinais de que passará a exibir redução progressiva do ritmo de queda, o desemprego ainda terá espaço para avançar até projetados 13% no fim do ano.

Indicativo da situação de estresse no mercado de trabalho vem da expansão do emprego por conta própria — normalmente o desaguadouro de quem perdeu emprego e não encontrou recolocação. Desde o mesmo trimestre de 2015, quase 1,5 milhão de pessoas engrossaram a categoria. Também mostra a dificuldade do momento o fato de que o número de empregados do setor privado com carteira assinada recuou, nesta última pesquisa, 2,2% em relação ao trimestre anterior e 4% sobre o mesmo período do ano passado.

Quedas nos rendimentos habituais e na renda média real sinalizam, ao lado da retração do crédito e da elevação da inadimplência, um quadro de demanda enfraquecida.

 

 

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