Mais um tombo na economia em fevereiro

José Paulo Kupfer

13 de abril de 2016 | 14h43

Está prevista para esta quinta-feira a divulgação do IBC-Br, o índice de atividade econômica calculado pelo Banco Central. Numa definição bem genérica e pouco precisa, o IBC-Br é uma prévia mensal da variação do próprio PIB, que é apurado pelo IBGE em bases trimestrais. Enquanto o IBC-Br e outros índices correlatos são estimados a partir de um conjunto de indicadores antecedentes e coincidentes, o PIB retrata o efetivo comportamento da economia.

As projeções dos analistas apontam uma queda forte da atividade em fevereiro e um aprofundamento da retração. As previsões são de recuo de 0,75% no IBC-Br de fevereiro, na comparação com o mês anterior, sucedendo retração de 0,61%, em janeiro. Em relação a fevereiro de 2015, a contração prevista é de quase 10%.

Na mesma direção projetada para o IBC-Br, o Departamento de Pesquisa Macroeconômica do Itaú-Unibanco, divulgou, nesta terça-feira, o seu PIB Mensal (PIBIU) de fevereiro. A queda apurada também foi acentuada, com um recuo de 1,6% ante janeiro, encolhimento de 4,5% sobre fevereiro de 2015 e contração de 4,1%, no acumulado em 12 meses. Esta foi a maior retração em 12 meses desde que o índice passou a ser calculado.

Os economistas do Itaú-Unibanco relatam quedas em fevereiro em cinco dos dez indicadores que compõem o PIBIU. Os maiores recuos foram anotados em setores de grande importância e disseminação econômica, inclusive no item do emprego, caso da indústria de transformação, que sofreu retração de 2,8%, e dos insumos para a construção civil, cuja produção recuou 1,6%. Já o comércio, sobretudo o varejo ampliado, que inclui venda de veículos e de unidades habitacionais, apresentou resultado positivo em fevereiro, com alta de 1,8%, enquanto a indústria extrativa, leia-se petróleo, cresceu 0,6%.

Para março, o PIBIU projetado é de alta de 0,7% sobre fevereiro, sem compensar os recuos anteriores nem alterar a trajetória descedente do indicador, como observam os economistas responsáveis pelo cálculo do índice. Previsões sinalizam primeiros e fracos sinais de reversão no ritmo de queda da atividade econômica a partir do segundo semestre.

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