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Mantega nega o IOF de pés juntos

José Paulo Kupfer

29 de maio de 2009 | 17h32

Participei, nesta sexta-feira de manhã, da gravação do programa “Em Questão”, da TV Gazeta, onde trabalho como comentarista e chefe de redação. Conduzido pela jornalista Maria Lydia, o programa, que vai ao ar nas noites de domingo, trará, neste próximo, uma entrevista com o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Desmentindo as notícias dos matutinos, Mantega negou de pés juntos que o governo voltará a taxar com o IOF o capital estrangeiro que tem procurado o Brasil. Para Mantega, o dinheiro de fora está entrando como investimento direto e aplicação em portfolio na bolsa de valores. Não está visando, como visou antes da crise, papéis de renda fixa e títulos públicos – o que, diz Mantega, poderia justificar o imposto. 

O fato de o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em depoimento no Congresso, ter aceitado em tese a ideia de taxar os capitais externos com um IOF, segundo Mantega, não deve ser levado em conta. “O Meirelles foi perguntado e ficou assim, assim”, disse. “Na verdade, desconversou”.

Chamou a atenção, na chegada de Mantega aos estúdios da TV Gazeta, às 10 horas, a inquietação dele e de assessores com a notícia do IOF. Um dos assessores, de olho num celular com acesso à internet, comentou que tinha saído uma notícia ruim e que eles já estavam trabalhando para desmenti-la. Era a história do IOF.

Para conter uma excessiva valorização do real, Mantega disse, também sem meias palavras, preferir acumular reservas, comprando dólares no mercado. Quando indagado de que serviria acumular mais reservas, visto que o volume existente já demonstrou dar conta da tarefa de desestimular ataques especulativos, e, além disso, acumular reservas não é um esporte sem custos, ele rebateu: “Já ouvi essa conversa outras vezes e estou convencido de que é a melhor e mais interessante maneira de evitar uma valorização excessiva da moeda”.

Mantega embarcou na tese Meirelles, de que o real está valorizando em relação ao dólar assim como outras moedas, mas que, em relação à cesta de moedas que conta para as exportações brasileiras, a valorização do real não é tão forte. Apesar disso, disse também que o choro dos exportadores faz sentido.

O ministro não atacou diretamente o nível das taxas de juros, nem o ritmo do corte que vem sendo promovido pelo Banco Central. Não disse que o nível dos juros no Brasil era “uma anomalia”, como em audiência no Senado Federal, no dia anterior. Mas deixou claro achar que a taxa básica, definida pelo Banco Central, poderia baixar mais e mais rápido.

Nisso, qualquer um pode acreditar. No resto, é a ver. 

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